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02/08/2019 | domtotal.com

Só o canudinho?

Onipresente, o copo descartável só não costuma ser usado em nossas casas. De resto, predomina de forma assustadora.

O Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de copos plásticos por ano.
O Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de copos plásticos por ano. (Pixabay)

Por Fernando Fabbrini*

A restrição ao uso de canudinhos plásticos é muito bem-vinda. Milhares dessas porcarias sujam as ruas, entopem bueiros, envenenam peixes e pássaros, poluem geral. Algumas cidades já proibiram seu uso. Comerciantes e consumidores vão se adaptando na hora do lanche – se bem que alguns, como acontece nesses tempos, o fazem apenas por modismo, não dando bola para o meio ambiente nas outras horas do dia.

É um passo importante. Porém, parece quase insignificante quando comparamos o canudinho com seu irmão mais antigo e muito mais poluente – o copo plástico. Dele, ainda não ouvi nenhuma condenação mais vigorosa.

Onipresente, o copo descartável só não costuma ser usado em nossas casas. De resto, predomina de forma assustadora. Imaginem o Mineirão, o Maracanã ou qualquer estádio brasileiro lotado num domingo de clássico. Certamente, no apito final teremos algo em torno de 50 mil copinhos caídos pelas arquibancadas – e poucos na lixeira adequada, como é de hábito entre os mal-educados torcedores nacionais. Atenção também para os pequenos copos plásticos de cafezinho, milhares diariamente nos restaurantes de comida a quilo.

As festas de rua também são ocasiões para altíssimo consumo de copinhos em poucas horas. Cresce o número de carnavais, shows musicais, manifestações – eventos urbanos com participação de multidões sedentas. A coleta dirigida ao reciclo ainda é incipiente. A maior parte fica na calçada, mesmo. E daí para o esgoto, os rios, as praias, para as barrigas dos peixes.

O Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de copos plásticos por ano. O descarte responsável está infinitamente aquém do que deveria, fazendo com que quase 90% acabem nos aterros sanitários ou lixões.

Há três tipos de copos: os de poliestireno, polipropileno ou os de poliestireno expandido – o popular isopor. Todos podem ser reciclados. Mas são produtos com uma alarmante "ficha criminal" sob o ponto de vista ecológico. Como outros itens plásticos, a fabricação de copos provoca a emissão de CO2 e de outros gases responsáveis pelo desequilíbrio do efeito estufa. 

Uma pesquisa mostrou que os copos descartáveis de poliestireno – aqueles brancos e frágeis, que quase se desmancham com o peso do líquido – ao entrarem em contato com uma bebida quente (café, por exemplo) liberam um volume de estireno acima do considerado seguro. Essa substância pode ser cancerígena e, acumulada no organismo, é capaz de proporcionar dores de cabeça, depressão, perda auditiva e problemas neurológicos.

O canudinho plástico será progressivamente trocado por outros de papelão, fibra orgânica, metal, macarrão. Já o copo descartável continua sujando o mundo em proporções absurdas, numa ameaça crescente deste mau hábito ignorado pelos cidadãos. Outro dia, na sala de espera de uma clínica, reparei: quase todo mundo bebia água uma, duas, três vezes ou mais usando copinhos plásticos. Só que, a cada ida ao bebedouro, pegavam um copinho novo no filtro – já que o anterior fora jogado ao lixo um minuto antes. É duro, hein?

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O Tempo.

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