Brasil Política

05/08/2019 | domtotal.com

Um presidente e os outros

Nunca-jamais houve nem haverá presidente à altura desse mineiro

Agora, então, o espectro de JK tem aparecido dia após dia à minha frente, a cada sílaba pronunciada pelo radical presidente em exercício.
Agora, então, o espectro de JK tem aparecido dia após dia à minha frente, a cada sílaba pronunciada pelo radical presidente em exercício. (Reprodução)

Por Afonso Barroso*

Há anos acontece sistematicamente comigo: toda vez que tomo conhecimento de atitudes (negativas), palavras (absurdas) e obras (pouquíssimas) dos nossos presidentes, desde Jânio Quadros até Bolsonaro, mais eu me lembro de outro presidente que a todos superou, chamado Juscelino Kubitschek. Agora, então, o espectro de JK tem aparecido dia após dia à minha frente, a cada sílaba pronunciada pelo radical presidente em exercício.

Começo lembrando Jânio Quadros, um maluco que falava português mesoclítico, cheio de metáforas, anacolutos e disparates. Era o oposto de Juscelino em todos os sentidos: no despropósito das atitudes, na completa ausência de sensatez e no destempero de medidas absurdas, como a proibição de biquínis, para citar só um exemplo. De tão louco, chegou a condecorar Che Guevara.

João Goulart, o Jango, também passou ao largo das ideias de JK. Era um latifundiário metido a soviético, filiado à extrema esquerda. Tinha um jeito audacioso e temerário de governar, cultivando a tese inviável de implantação da ditadura do proletariado.

Os cinco presidentes militares que dirigiram o país nos 20 anos seguintes, após desferirem o golpe que derrubou Jango, demoliram também os ideais democráticos de Juscelino, que foi caçado, cassado e humilhado. Submeteram o povo a um regime sem liberdade, à base de censura, tortura e até execuções. Ergueram algumas estranhas catedrais de que fala Chico Buarque em Vai passar, mas têm o crédito de duas obras grandiosas: a Usina Hidrelétrica de Itaipu e a Ponte Rio-Niterói. O resto foram chumbo e trevas.

Veio Tancredo Neves, mineiro confiável e sábio, uma esperança que morreu antes da posse. A fatalidade fez o país cair no colo do senhor José Sarney, que só tinha de Juscelino algum arremedo de espírito democrático. Revelou-se péssimo administrador, preocupado apenas em preservar sua ascendência diante do povo do seu estado, o pobre Maranhão.

Fernando Collor também não tinha nada de Juscelino. Falava muito e agia pouco, sempre em seu próprio benefício. Nada fez de bom para o país, a não ser chamar de carroças os automóveis nacionais. Acabou por sofrer um processo de impeachment que o obrigou a renunciar. Entregou o cargo a Itamar Franco, que ao menos parecia honesto como JK e teve o mérito de aprovar o Plano Real, criado pela equipe de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda.

FHC, por sua vez, era um arremedo de Juscelino, só arremedo. Soube manter a economia sob controle com o Plano Real que havia engendrado e que o levou a sentar-se na curul presidencial. Gostou do poder, comprou o Congresso para instituir a reeleição e ficou mais quatro anos no palácio principal dos três poderes.

Lula também não tomou conhecimento do que Juscelino implantou no país, abdicando do desenvolvimento e adotando um modelo de assistência social demagógico e infrutífero. Implantou a roubalheira desenfreada que encheu com dinheiro público os bolsos de muitos gatunos (ou ratunos) ao seu redor.

Dilma Rousseff conseguiu ser pior, assim como Michel Temer. Parece nunca terem ouvido falar em JK.

E agora temos um presidente que pode se considerar o anti-Juscelino. Não tem um pingo de simpatia, é arrogante, destemperado e despreparado. Governa e fala militarmente com um sorriso maroto. Exatamente o oposto do sorriso amplo e sincero de JK.

Resumindo: nunca-jamais houve nem haverá presidente à altura desse mineiro oriundo de Diamantina, Minas Gerais, de nome Juscelino Kubitschek de Oliveira.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

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