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08/08/2019 | domtotal.com

Muitos muito obrigado

Foi uma festa receber parabéns que chegaram de todo jeito e de toda parte.

Ano que vem - queira Deus - tem mais.
Ano que vem - queira Deus - tem mais. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*

O Facebook tem uma particularidade interessante: é um lugar onde você pode chamar de amigo alguém que jamais viu. No dia do meu aniversário, 1º de agosto, recebi quase duas centenas de abraços de amigos que não conheço. Prezo-os como se fossem amigos de copo e de papo, dos que a gente encontra toda semana. Em verdade, desses que eu tinha, apenas um sobrou: o advogado e conterrâneo Oswaldo César, que todos chamam de Badu e eu, de Zé. Também me chamo Zé para ele. Toda sexta, ou quase toda, tomamos umas com torresmo de barriga ou carne de panela e mandioca cozida no bar do Seu Pedro. Os outros velhos amigos de infância, cerveja e pelada já se despediram de nós para sempre, alguns mais cedo do que deviam.

Foi uma festa receber parabéns que chegaram de todo jeito e de toda parte. Uns automáticos, meio formais, outros elaborados, uns mornos, outros calorosos, mas garanto que foram todos muito bem-vindos, bem-recebidos e bem-apreciados. Vivi um dia de alegria com tantos cumprimentos de muitos amigos virtuais e alguns reais, mas distantes. Foram eles o meu bolo de aniversário com a idade fincada em cima.

Permitam-me falar de um deles, o inventor da pipoca. Não a pipoca propriamente dita, mas a pipoca como tira-gosto para uísque. Você, meu caro amigo ou minha amantíssima amiga, já experimentou pipoca enquanto toma uísque? Pois saiba que é danado de bom. O criador é um sujeito criativo e divertido, o amigão Renato Bergo. Trabalhamos juntos na JMM, agência do saudoso Walter Andrade. Ele financeiro, eu redator. Às sextas-feiras, terminado o expediente, nos reuníamos na sala dele para tomar um uisquezinho de boa qualidade. Certo dia, ele tinha na mesa uma enorme vasilha cheia de pipoca. Disse que era ótimo tira-gosto, e era mesmo. A partir daí, uiscávamos e pipocávamos toda sexta no começo da noite. Na mensagem que me enviou pelo aniversário, Bergo lembrou as reuniões regadas a scotch com pipoca.

Recebi mensagens também fora do Facebook, como a de um amigo que não vejo há trocentos anos e mora hoje no Recife. Chama-se Carlos e parece ter adotado o dialeto nordestino, porque me telefonou para desejar, além de muitos anos de vida, um aniversário arretado. Mas arretado mesmo foi ele se lembrar de mim depois de tanto tempo afastados.

Outro amigo e ex-colega jornalista, o Carlos Cunha, deu-se ao trabalho até de descobrir e revelar minha avançada idade, o que era perfeitamente dispensável, mas que recebi como prova de apreço. Escreveu um texto longo e bonito.

Houve um, o caro Antônio Souza, que me desejou felicidades e “muita paciência”, certamente para não me irritar com um ou dois radicais chatos e agressivos que costumam contestar comentários meus, e o fazem sem um pingo de educação ou civilidade. Preocupa não, amigo, eu tenho paciência suficiente para ignorar esses desafetos que gratuitamente adquirimos pelo Face afora. Até porque não são desafetos só meus, mas certamente do resto do mundo.

Recebi também uma mensagem de áudio belíssima da minha irmã Ambrosina, 10 anos mais velha do que eu. Ela mora no Jacuri com uma fileira de netos, lucidez admirável e memória prodigiosa debaixo dos cabelos de algodão. Somos os dois remanescentes dos filhos do casal Barroso, José e Maria. Contou como, aos 10 anos, pegou no colo aquele menininho branquinho de cabelos cacheados, bonito que nem um anjo. Era eu.

Não posso deixar de mencionar também um efusivo happy birthday postado por um amigo oculto das estranjas. Mora em Sidney, Austrália.

E foi assim que comemorei mais uma das minhas já incontáveis passagens de ano. Ano que vem – queira Deus – tem mais. Quererá Deus? Acho estranho esse futuro do verbo querer, mas vá lá: quererá Ele?

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

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