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07/08/2019 | domtotal.com

Cine 104 reabre exibindo documentários brasileiros

Depois de dois anos de portas fechadas, cinema reabre com nova curadoria.

Entrada do Espaço 104.
Entrada do Espaço 104. (Gilmar Pereira)

Por Gilmar Pereira
Redação Dom Total

Depois de dois anos sem atividade, o Cine 104 reabre nesta quarta-feira (7). Um dos poucos cinemas de rua de Belo Horizonte e com programação voltada à filmes de menor apelo comercial, o espaço é símbolo de resistência cultural.

O Cine 104 fica localizado no coração da capital mineira, no complexo cultural da Praça da Estação (Praça Rui Barbosa, 104), com fácil acesso, seja por metrô ou BRT. Mesmo isso não impediu que a sala encerrasse suas atividades. Sempre atrelado às leis de incentivo à cultura para sustentar sua viabilidade, o cinema teve o patrocínio descapitalizado no final de 2017. A vontade de retomar as atividades só foi possível agora, com o apoio do Banco BMG, para a alegria do público.

Os pufes da primeira fileira dão a sensação de cinema em casa.Os pufes da primeira fileira dão a sensação de cinema em casa.

A reabertura conta com novo projeto, numa retomada cuidadosa que quer valorizar o mercado do audiovisual brasileiro e obras de referência. Dentre esses, destacam-se filmes e diretores mineiros, bem como obras importantes que passaram na cidade, mas ficaram pouco tempo em cartaz.

Além disso, o 104 quer interagir mais com a cidade. Para isso, serão formadas parcerias com coletivos que movimentam e dialogam com o público local de forma mais próxima. Segundo Juliana Miari, diretora de marketing e gerente de projetos do 104, uma das intenções é “oferecer o cinema como um espaço de fala, intercâmbios e interações”.

Para isso, discutindo sobre a questão da representatividade nas telas, na sessão de abertura, às 19h30, será exibido o filme My name is now – Elza Soares. O documentário conta, de maneira poética e bastante pessoal, a história de uma das maiores vozes do país e foi dirigido por uma mulher. Esse olhar feminino revela a intimidade da cantora, suas dores e sua relação com a música. A diretora Elizabete Martins, que é mineira, estará ao fim da exibição para um bate-papo sobre os desafios e encantos de produzir uma obra sobre uma das maiores vozes do país. O longa será reprisado em sessões nos dias 8, 14 e 15 deste mês.

O funcionamento da sala, com capacidade para 90 pessoas, será às quartas e quintas-feiras e a curadoria dos filmes está a cargo de Mônica Cerqueira, uma das mais experientes programadoras de cinema de BH. Na década de 1980, Mônica trabalhou no Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes, antes de fundar o Savassi Cineclube, em 1988, com dois sócios, que ainda foram responsáveis pela abertura dos extintos Usina Unibanco de Cinema, Cine Imaginário e La Boca.

Sobre o desafio da curadoria de um cinema de rua, Monica afirma que quer "pensar um outro cinema, não o das grandes produções, dos blockbusters, que têm muito espaço nas telas – às vezes até demais". E ressalta: "Programar um espaço que tem o perfil muito mais voltado pra obra de arte em si do que pelo aspecto comercial que um filme traz já é um desafio". Contudo, ela assume a função confiante porque espera que o espaço seja "um lugar de encontro" para quem aprecia esse tipo produção.

Na quinta-feira (8), às 20h45, também será a vez de outro documentário, Ex-pajé, de Luiz Bolognesi, com reprises dias 14 e 15. Os preços continuam acessíveis, com as entradas custando R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Outra comodidade que permanece no local são os tradicionais pufes da primeira fileira, que deixam a sensação de filme em casa, mas com grande estilo.

O espaço ainda conta com café e restaurante.O espaço ainda conta com café e restaurante.A retomada do cinema faz parte da proposta do 104, que, nas palavras de Juliana Miari, consiste em "ser um portal de intercâmbio das iniciativas locais para o Brasil e o mundo e um espaço múltiplo para que as pessoas pudessem ter acesso a cultura, às comunidades e a trocar experiência. Um espaço para transformação". Essa missão também é compartilhada pelos outros projetos do espaço, que conta com o CIV Coworking, o Café e a Central (lanchonete e restaurante).

EMGE

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