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12/08/2019 | domtotal.com

Argentina: peronista Alberto Fernández vence Macri que reconhece derrota nas eleições prévias

Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, obteve 47% dos votos nas primárias. Os dois somam quase 80% dos votos e a diferença é considerável sobre Macri.

Macri reconheceu a derrota e disse que
Macri reconheceu a derrota e disse que "doeu" não ter obtido todo o apoio que esperava no pleito. Foto (AFP Photo)
Alberto Fernández recebeu 47% dos votos nas eleições primárias de 11 de agosto de 2019 na Argentina
Alberto Fernández recebeu 47% dos votos nas eleições primárias de 11 de agosto de 2019 na Argentina Foto (AFP)

Alberto Fernández, peronista de centro-esquerda, estabeleceu uma ampla vantagem sobre o presidente liberal Mauricio Macri nas primárias de domingo na Argentina e se tornou o grande favorito para a eleição presidencial de 27 de outubro.

Fernández, que tem como candidata a vice a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), obteve 47% dos votos nas eleições primárias de domingo. Macri recebeu apenas 32%. Os dois somam quase 80% dos votos e a diferença é considerável para o atual governante.

Como as candidaturas já estavam definidas, as primárias não registraram uma disputa interna e os votos recebidos pelos aspirantes são considerados uma pesquisa em escala real, dois meses e meio antes das eleições gerais, que incluem a renovação parcial do Congresso.

O índice de participação foi de 75% dos 34 milhões de eleitores.

 "Números duros"

A recessão, a inflação de 22% no primeiro semestre, uma das mais elevadas do mundo, e pobreza que afeta 32% da população pesaram mais que a rejeição às denúncias de corrupção contra Kirchner, que é alvo de vários processos e de um julgamento já iniciado. "Os números da economia real são muito duros", afirma a analista Mariel Fornoni, ao explicar o resultado ruim de Macri.

Antes da atual eleição, Fernández só havia sido candidato uma vez, no ano 2000, quando conquistou uma vaga como parlamentar da cidade de Buenos Aires. Sua experiência política mais importante aconteceu quando foi o chefe de gabinete do falecido presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e depois de Cristina durante 2008, seu primeiro ano de governo.

Ele rompeu com a ex-presidente se tornou um crítico ferrenho até a reconciliação, 10 anos mais tarde, quando Cristina Kirchner anunciou a candidatura como vice.

A chapa foi considerada surpreendente e permitiu, ao mesmo tempo, somar os eleitores de Kirchner e neutralizar a rejeição provocada por esta líder política, amada e odiada na Argentina.

"Comigo a rachadura (a feroz divisão política dos argentinos) terminou para sempre e a vingança também", declarou Fernández ao tomar conhecimento dos resultados.

Para o cientista político Sergio Berensztein, "a aposta do peronismo em uma coalizão mais moderada foi acertada".

Para vencer no primeiro turno é necessário obter 45% dos votos ou conseguir 40% e 10 pontos de diferença. Um eventual segundo turno aconteceria em 24 de novembro.

Macri reconhece derrota

O presidente da Argentina, Maurício Macri, reconheceu a derrota nas eleições primárias no país para o kirchnerista Alberto Fernández e disse que "doeu" não ter obtido todo o apoio que esperava no pleito. À 0h22 (de Brasília), com 88,17% das urnas apuradas e 75,86% de comparecimento dos eleitores, o opositor havia conquistado 47,34% dos votos, enquanto a coalizão de Macri aparecia com 32,25% do total.

Apesar da derrota, Macri disse que "seguirá em frente" e, de acordo com a agência estatal Telám, afirmou ser "muito importante que todos continuemos a dialogar neste país e que expliquemos ao mundo o que queremos". O presidente assegurou que fará o que estiver ao seu alcance para seguir conduzindo a Argentina e criticou a oposição. "Dói em minha alma ver que tantos argentinos acreditam que a alternativa é retornar ao passado", disse, referindo-se ao kirchnerismo. A candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Fernández é a ex-presidente argentina Cristina Kirchner (2007-2015).

Fernández, por sua vez, afirmou que tinha "certeza" que a Argentina daria espaço a ele para "acabar com a atual era e construir outra história". "Aqueles que estão inquietos, que se tranquilizem. A Argentina é um país em que o conceito de vingança e de racha chegou ao fim hoje", comentou o candidato à presidência pela coalizão Frente de Todos, em discurso após a divulgação dos resultados.


AFP e Agência Estado

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