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13/08/2019 | domtotal.com

Vem Pra Rua e Instituto Mude foram usados por Deltan para pressionar STF e Congresso

Os diálogos foram enviados ao site The Intercept Brasil por fonte anônima e realizados via mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram.

Novas mensagens vazadas mostram o procurador Deltan Dallagnol tentando influenciar o STF de forma oculta.
Novas mensagens vazadas mostram o procurador Deltan Dallagnol tentando influenciar o STF de forma oculta. (FELIPE RAU/ESTADÃO CONTEÚDO)

O procurador Deltan Dallagnol está no centro de mais uma polêmica com novas mensagens reveladas do caso que está sendo conhecido como Vaza Jato e que veio a público através do The Intercept Brasil.  Os diálogos foram enviados ao site por fonte anônima e realizados via mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram.

As mensagens mostram que Dallagnol mirou causas políticas pessoais dele e da operação Laja Jato. Para tanto, ele usou grupos políticos surgidos após o “sucesso” da operação. Os grupos são o “Vem Pra Rua”, alinhado a partidos de direita, e o “Instituto Mude — Chega de Corrupção”, criado para se movimentar a favor das “10 Medidas Contra a Corrupção”, uma obsessão de Dallagnol que, inclusive, teria atuado como diretor informal do Mude.

As mensagens mostram que Dallagnol pautou, de forma oculta, manifestações do Vem Pra Rua e do Mude, atos públicos e até publicações em redes sociais. O procurador tentou influenciar também a escolha do relator da Lava Jato no Supremo após a morte de Zavascki.

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10 Medidas Contra a Corrupção

O projeto “10 Medidas Contra a Corrupção” foi entregue ao Congresso com mais de dois milhões de assinaturas em março de 2016. Em novembro havia a expectativa de que ele fosse votado e Dallagnol se manifestou no grupo “Parceiros 10 Medidas MPF”: “Caros, votação será adiada para terça feira. Agora temos que adotar uma estratégia forte, de diferentes frentes. Uma delas será colocar 500 pessoas no Congresso. Já alinhei isso com o MUDE e eles têm capacidade para fazer isso”, escreveu, pela manhã, do dia 17.

Dallagnol achou aceitável o relatório que foi à votação no dia 23. Porém, uma semana depois, na madrugada de 30 de novembro, o plenário aprovou o pacote, mas rejeitou quase todos os pontos que Dallagnol considerava fundamentais para a efetividade do projeto.

Convocados por movimentos como o Vem Pra Rua e o Mude, manifestações em defesa da Lava Jato ocorreram em mais de 200 cidades do país no dia 4 de dezembro. A força-tarefa da Lava Jato também protestou contra a decisão dos deputados, afirmando que o projeto havia sido “desfigurado”.

Substituto de Teori

Com a morte de Teori Zavascki num acidente aéreo em janeiro de 2017 ficou vaga uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) e o posto de relator dos processos da Lava Jato na corte, o responsável pelos casos que envolviam políticos com foro privilegiado.

No grupo Filhos do Januário 1, formado por colegas da força-tarefa do Paraná, Dallagnol deixou claro que Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski não seriam boas escolhas. Incomodava também o fato de o escolhido ser conhecido por sorteio, o que seria uma “roleta russa”.

Em conversa com uma das líderes do Mude, Patrícia Fehrmann, Dallagnol deixou claro que “seria bom se os movimentos replicassem o post do Luis Flavio Gomes”. O texto do jurista, hoje deputado federal pelo PSB de São Paulo, atacava Mendes, Lewandowski e Toffoli. Dallagnol ainda pediu que Fehrmann procurasse o Vem Pra Rua para reproduzir a mensagem, mas pediu anonimato na sugestão: “só não me citem como origem, para evitar melindrar STF”.

Por fim, um final inesperado tranquilizou Deltan: “Fachin foi coisa de Deus”, comemorou em 2 de fevereiro numa conversa com Fabio Oliveira, também do Mude. A mensagem se referia ao fato de Fachin ter sido transferido para a 2ª Turma e sido sorteado relator da Lava Jato.


The Intercept Brasil/DomTotal.com

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