Brasil Política

14/08/2019 | domtotal.com

Deltan evitou receber prêmio ao lado de Bolsonaro para não vincular Lava Jato à extrema direita

Procurador da Lava Jato foi aconselhado pelo Assessor 1 a cancelar presença em evento para não posar ao lado de Bolsonaro e Fernando Holiday.

“Tudo o que vc e a FT não precisam é serem
“Tudo o que vc e a FT não precisam é serem "associados" ao Bolsonaro", disse o assessor. (Zeca Ribeiro/Câmara e Fabio Pozzebom/Ag Brasil)

Em mais um vazamento de diálogos de membros da Força Tarefa da Lava Jato, revelado na manhã desta quarta-feira (14), o procurador da República Deltan Dallagnol evitou receber um prêmio ao lado do então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e do vereador Fernando Holiday (DEM-SP). O objetivo era não atrelar o trabalho do MPF com um “viés ideológico de extrema direita” e a dica veio do ‘Assessor 1’, segundo revela notícia publicada pelo UOL em parceria com o site The Intercept Brasil. Os diálogos foram enviados ao site por fonte anônima e realizados via mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram.

O episódio aconteceu em outubro 2016, quando a Lava Jato foi homenageada pelo Instituto de Formação de Líderes (IFL) de São Paulo com o prêmio Liberdade 2016. Dallagnol confirmou presença no evento e comunicou aos colegas procuradores no grupo “filhos do Januário 1”, no aplicativo Telegram: "Vou receber porque me parece positivo para a LJ, mas vou pedir para ressaltarem de algum modo, preferencialmente, que entregam a mim como símbolo do trabalho da equipe", disse Dellagnol.

Contudo, três dias antes do evento, o coordenador da Lava Jato foi alertado pelo Assessor 2 que também estariam presentes Bolsonaro e Holiday. “Tudo o que vc e a FT não precisam é serem "associados" ao Bolsonaro. é a mesma coisa que receber prêmio do Foro de BSB. estou quase implorando”, disse o auxiliar. Após conversar com o Assessor 2, Deltan decidiu cancelar a presença e revelou na madrugada aos colegas procuradores:

“Caros, apenas FYI [para conhecimento], estou cancelando a ida para o prêmio à FT em SP por revisão da recomendação da ASCOM após sair a programação do evento, que tem perfil muito de direita, com Jair Bolsonaro como um dos vários palestrantes e com homenagem a um vereador de SP que foi um dos líderes do impeachment. Indicarei Roberto Livianu ou Thamea como representantes da FT para receber o prêmio”, escreveu Deltan. O vereador, em questão, é Fernando Holiday, do DEM, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudou no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

O promotor Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, recebeu o prêmio em São Paulo dois dias depois do aviso de Dallagnol e postou imagem no Twitter. Em novembro, o promotor entregou o prêmio a Pozzobon, em Brasília.



Curiosamente, esse novo vazamento acaba dando novos argumentos para Bolsonaro contra o procurador. Nesta semana, o perfil oficial de Jair Bolsonaro no Facebook compartilhou um post chamando Dallagnol de "esquerdista estilo PSOL". A opinião foi publicada em comentários de bolsonaristas que sugeriam que o presidente indicasse Dallagnol para a Procuradoria-Geral da República.

Segundo análise do jornalista Joaquim de Carvalho, decisão de não posar ao lado de Bolsonaro tinha a ver com o cenário político da época. Em outubro de 2016, Bolsonaro já estava em campanha, mas ainda sem viabilidade eleitoral. Pesquisa de intenção na época mostrava Lula na liderança, com 22 pontos, seguido de Marina, com 17, e de Aécio Neves, com 14. Bolsonaro aparecia com sete pontos. Condenação de Lula pela Lava Jato e o envolvimento de Aécio com Joesley Batista abriram caminho para o ex-capitão chegar ao Planalto.

Vem Pra Rua e Instituto Mude foram usados


Na terça (13), outro vazamento já havia revelado modus operandi de Dallagnol.  As mensagens mostram que Dallagnol mirou causas políticas pessoais dele e da operação Laja Jato. Para tanto, ele usou grupos políticos surgidos após o “sucesso” da operação. Os grupos são o “Vem Pra Rua”, alinhado a partidos de direita, e o “Instituto Mude — Chega de Corrupção”, criado para se movimentar a favor das “10 Medidas Contra a Corrupção”, uma obsessão de Dallagnol que, inclusive, teria atuado como diretor informal do Mude.



Redação Dom Total

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