Economia

16/08/2019 | domtotal.com

Ilha isolada? Guedes diz que Brasil não é afetado por crises internacionais

Ministro da Economia ameaça sair do Mercosul, afirma que Argentina não é importante para o Brasil e diz não temer efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

"Não vai ser um ventinho do sul ou a ventania do mundo inteiro que vai dessincronizar o Brasil", acrescentou. (José Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que se o futuro novo governo da Argentina fechar sua economia, o Brasil deixará o Mercosul, união aduaneira que também abarca Paraguai e Uruguai. “Se a Cristina Kirchner entrar e fechar a economia, a gente sai do Mercosul”, disse ele em evento promovido pelo Santander em São Paulo. Guedes ainda emendou: "não vai ser um ventinho do sul ou a ventania do mundo inteiro que vai dessincronizar o Brasil", acrescentou.

Confira a Charge do Duke sobre o tema:


Nesta semana, o mercado argentino sofreu forte abalo na esteira da esmagadora vitória do candidato de oposição Alberto Fernández nas eleições primárias, afetando severamente as chances de reeleição do presidente Mauricio Macri. Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como sua companheira de chapa, abriu forte vantagem nas primárias em relação a Macri, que é defensor do livre mercado.

Em sua fala, Guedes defendeu que o Brasil nunca precisou da Argentina para crescer, frisando que o foco do governo é a recuperação da dinâmica de expansão da atividade econômica. “O comércio exterior é uma cauda balançando, mas nossa preocupação principal é interna. O Brasil é uma economia continental e precisamos recuperar nossa dinâmica própria de crescimento. Nós não somos tão dependentes lá de fora”, disse. “Se o mundo desacelerar, não creio que vamos ter tanto impacto aqui porque o Brasil virou uma ilha isolada”, completou.

Em meio a uma alinhamento entre Brasil e Argentina, o Mercosul fechou no fim de junho acordo de livre comércio com a União Europeia após negociações iniciadas há 20 anos. Recentemente, o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, disse que há hoje “conexão e coincidência de propósitos” entre o presidente Jair Bolsonaro, Macri e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Já sobre as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, Guedes avaliou que esta é uma briga que traz desconforto no mundo todo, mas ponderou que Trump foi eleito para isso. “O que temos que fazer é nossa parte, consertar aqui dentro e esperar o pau comer lá fora. Se eles caírem lá fora, nós vamos continuar vendendo pra eles e continuar comendo pelas beiradas. Pode afetar alguns preços relativos, mas não temo que seja um impacto muito grande por aqui”, disse.

Privatizações

Em seu discurso, Guedes também afirmou que o governo vai acelerar as privatizações e destacou que o apoio do presidente Jair Bolsonaro ao programa está aumentando. “Meu trabalho é tentar vender todas as estatais”, afirmou.

O ministro ainda apontou que agora é preciso avançar com a reforma tributária, ressaltando que a proposta do governo é unificar o sistema. “Quem quiser fazer vem junto, e quem não quiser fica fora, igual foi feito na Índia e no Canadá”, disse.

Sobre a reforma da Previdência, que agora tramita no Senado após aval da Câmara dos Deputados, Guedes afirmou que o governo tem indicações de que a proposta irá avançar sem grandes mudanças substanciais. “Ainda não é o ideal, que seria o regime de capitalização, mas já é alguma coisa”, disse.

A expectativa do ministro da Economia, Paulo Guedes, é que o segundo semestre deste ano seja melhor para o Brasil do que foi o primeiro. Segundo ele, os primeiros meses de 2019 foram difíceis, mas os investimentos acontecerão daqui para frente. "Não temo pressão de fora, seja da Argentina, seja a desaceleração da economia mundial. O Brasil tem uma dinâmica de crescimento", afirmou, complementando que o País fez o seu dever de casa e agora deve crescer mais rapidamente.



Reuters, Agência Estado e DomTotal

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas