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17/08/2019 | domtotal.com

Nove vetos são sugeridos à lei de abuso de autoridade e entidades organizam protestos

O projeto é visto como uma reação do mundo político à Lava Jato, pois dá margem para criminalizar condutas que têm sido usadas em investigações no país.

O Ministério da Justiça, em parecer, afirma ver elementos que podem 'inviabilizar' investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.
O Ministério da Justiça, em parecer, afirma ver elementos que podem 'inviabilizar' investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. (Antonio Augusto/Secom /PGR)

Parecer elaborado pela área técnica do Ministério da Justiça, comandado por Sérgio Moro, indica a necessidade de veto a nove artigos no projeto que trata da lei de abuso de autoridade aprovado nesta semana pela Câmara. No documento, o ministério afirma ver elementos que podem "inviabilizar" investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

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Entre os artigos questionados, está o 9º, que prevê punição ao magistrado que decretar prisões provisórias "em manifesta desconformidade com as hipóteses legais". Segundo o parecer, caso incluído na lei, o trecho "elimina a discricionariedade do magistrado". 

O ministério também aponta subjetividade na interpretação do artigo 13, que trata sobre constrangimento de presos, que pode "prejudicar o exercício da atividade policial". "Levado ao extremo, esse dispositivo pode afastar a obrigação legal de o preso fornecer impressões digitais", diz o parecer.

O documento foi enviado aos líderes do Congresso antes da votação da proposta, na quarta-feira. O texto aprovado, porém, não foi alterado. O presidente Jair Bolsonaro afirmou que ainda avalia possíveis vetos ao texto.

Em entrevista ontem, porém, Bolsonaro criticou a possibilidade de punir um policial que algemar alguém que não demonstre resistência no ato da prisão. "Se o cara vier a algemar alguém de forma irregular, tem uma cadeia para isso. Isso não pode existir. O resto a gente vai ver", disse o presidente.

Bolsonaro afirmou que, independentemente da decisão que tomar, vai levar "pancada". "Vetando ou sancionando, ou vetando parcialmente, o tempo todo eu vou levar pancada. Não tem como. Vou apanhar de qualquer maneira", disse.

Bolsonaro está sofrendo pressão do Ministério da Justiça, de parlamentares e de entidades para vetar alguns trechos do texto, que é visto como uma reação do mundo político à Lava Jato, pois dá margem para criminalizar condutas que têm sido usadas em investigações no país.

Pressão pelo veto

Associações da magistratura, do Ministério Público Federal e estaduais e das forças de segurança organizam para a próxima semana protestos em algumas capitais do país para pressionar o presidente Jair Bolsonaro a vetar o projeto que criminaliza o abuso de autoridade. Os atos serão realizados nos dias 19 em Belém, Natal, Campo Grande e Curitiba; no dia 20 em Brasília; e no dia 23 em Belo Horizonte.

Representantes dessas carreiras alegam que o texto cria um incentivo à corrupção e a ações de grupos criminosos organizados. "A sanção do Projeto de Lei 7.596/2017 não coíbe abusos de autoridade, não corrige equívocos dos agentes públicos. Ao contrário, transforma-os em burocratas acuados, incapazes de cumprir seus deveres e contrapor interesses ilícitos em nome da democracia e da probidade", diz trecho de uma petição pública que circula na internet e já conta com mais de 30 mil assinaturas.

No entanto, a cúpula do Judiciário não deve se mobilizar nessa ofensiva contra o projeto de abuso de autoridade. A avaliação é de que, como essa versão do texto atinge outros poderes e não apenas o Judiciário, isso esvazia o discurso de que a proposta é direcionada aos agentes de Justiça. Outra avaliação é que, eventuais excessos que venham a ser cometidos e que forem enquadrados como abuso de autoridade, serão avaliados pelo próprio Judiciário.

A proposta prevê punição a agentes públicos, incluindo juízes e procuradores, em uma série de situações e é considerada uma reação da classe política às operações recentes contra corrupção como a Operação Lava Jato. Ela também abrange policiais, membros de tribunais ou conselhos de contas, servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas.


Agência Estado/Dom Total

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