Religião

06/09/2019 | domtotal.com

Ai de vós!

Uma religião fundada no discurso do dinheiro serve a outro Senhor, que não ao Deus de Jesus Cristo.

A alienação, a perda do sentido, o fanatismo e o enlouquecimento são possibilidades reais, quando a vivência religiosa não é conduzida com responsabilidade.
A alienação, a perda do sentido, o fanatismo e o enlouquecimento são possibilidades reais, quando a vivência religiosa não é conduzida com responsabilidade. (Pixabay)

Por Teófilo da Silva*

O culto sem justiça é infrutífero. Os profetas, desde Amós e Oséias, já nos alertavam sobre isso. O próprio Jesus, rememorando as palavras de Oséias, reafirma essa compreensão de que não são os sacrifícios, mas é a misericórdia o que agrada ao Senhor. O culto sem a dimensão política, isto é, do interesse e do cuidado pelo bem comum, é vazio e serve apenas para apaziguar inquietações puramente religiosas, mas não espirituais de encontro com o sentido para o bem viver.

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Nesse aspecto, as lideranças religiosas têm um papel fundamental: como pastores e pastoras do povo de Deus, são chamadas a liderar pelo caminho da Palavra de Deus. O caminho da única e verdadeira Palavra de Deus, vale dizer! É preciso, pois, que essas lideranças estejam sempre abertas ao Espírito do Senhor, para que possam discernir os espíritos e não cair na armadilha de guiar o povo, movidas pelos próprios interesses.

Os bons líderes cristãos conduzem seus liderados, ajudando-os a mergulhar na experiência profunda com a transformação, fruto de um encontro verdadeiro com a Palavra de Deus, que para nós é uma pessoa: Jesus Cristo, Palavra encarnada. Discernimento é, pois, uma interpelação constante aos que pastoreiam o povo de Deus: confrontar-se com a Palavra de Deus, para dela buscar uma legítima inspiração para o trabalho pastoral.

A responsabilidade das lideranças religiosas deve ser tamanha, pois lidam diretamente com uma das dimensões mais profundas do ser humano: sua abertura à transcendência e, em consequência, com a questão do sentido. Logo, uma vida pode ser destruída, caso uma má orientação e liderança religiosas não conduzam a pessoa a uma experiência religiosa sadia. A alienação, a perda do sentido, o fanatismo e o enlouquecimento são possibilidades reais, quando a vivência religiosa não é conduzida com responsabilidade.

São sempre urgentes a denúncia e o rompimento evangélicos com as religiosidades que se mostram mercantis, interesseiras e desvinculadas da Palavra de Deus, em seu anúncio de vida, justiça, amor, solidariedade, misericórdia, enfim, do Reino de Deus em si. Uma religião fundada no discurso do dinheiro serve a outro Senhor, que não ao Deus de Jesus Cristo. Que o aviso dado por Jesus encontre eco entre aqueles e aquelas que abusam da fé alheia para alcançar seus próprios interesses nada evangélicos: ai de vós!

*Teófilo da Silva é teólogo e poeta.

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