Economia

22/08/2019 | domtotal.com

Pacote de privatizações de estatais do governo Bolsonaro foi desidratado

O pacote, que anteriormente previa a oferta de 17 empresas estatais, foi diluído.

Sobre a privatização da Petrobras, Onyx afirmou que estudos são necessários e não deu nenhum prazo para que isso possa eventualmente ocorrer.
Sobre a privatização da Petrobras, Onyx afirmou que estudos são necessários e não deu nenhum prazo para que isso possa eventualmente ocorrer. (Petrobras Flickr)

O pacote de privatizações do governo federal, que inicialmente previa a oferta de 17 companhias estatais, foi desidratado. Na tarde de quarta-feira (21), apenas nove companhias foram listadas dentro do programa de desestatização: ABGF, Emgea, Serpro, Dataprev, Ceagesp, Codesp, Ceitec, Telebras e Correios.

Para chegar ao número de 17, o governo citou a Lotex, que já passou por duas tentativas frustradas de leilão, a venda de ações do Banco do Brasil detidas pela União e seis estatais que já estavam no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). A Lotex, no entanto, nem pode ser caracterizada como estatal, pois é uma atividade da Caixa Loterias, e não uma subsidiária.

Ao tentar explicar as informações trocadas, o secretário especial de Desestatizações, Salim Matar, disse que houve "equívoco de informação" e que, na realidade, as 17 ofertas se referiam ao que está no "pipeline" do governo.

Prazos também não foram informados, apesar da insistência dos jornalistas em entender o cronograma do governo. "O mais importante não é prazo, é a atitude", respondeu Salim.

Petrobras

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o governo ainda não decidiu colocar a Petrobras na carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Quando uma empresa passa a fazer parte do PPI, é possível iniciar estudos para decidir a respeito de uma futura privatização. "Não há decisão ainda de colocar a Petrobras como um todo no PPI", disse.

O ministro afirmou que o governo ainda realizará estudos para definir o futuro da companhia. Esses estudos serão realizados pelo próprio PPI, pelo BNDES e pelo Ministério de Minas e Energia. Segundo ele, isso será feito de forma criteriosa. "Temos muito a fazer antes de poder trazer todas as áreas (da Petrobras) em processos de privatização", afirmou. "A Petrobras é gigantesca. O MME vem conduzindo um processo adequado e feito estudos de profundidade", disse o ministro, referindo-se a estudos para venda de refinarias.

O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, disse que da parte do presidente Jair Bolsonaro não há “nenhuma ideia” no sentido de privatizar a Petrobras. Nessa quarta-feira, o jornal Valor Econômico publicou, em sua versão on-line, que a equipe econômica pretende privatizar a Petrobras até o fim do governo.

Procurada, a Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentários. O Ministério da Economia afirmou que não iria comentar.

Na semana passada, o durante evento no Rio de Janeiro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, não duvidar que o governo poderia privatizar “coisas maiores”.

A afirmação, que arrancou gargalhadas de uma plateia que escutava o ministro durante o encerramento do evento do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) sobre gás natural, foi considerada por Guedes depois, em entrevista a jornalistas, uma “brincadeira”.

Mais cedo, no mesmo dia do evento no Rio, Guedes falou sobre o assunto em São Paulo. “Meu trabalho é tentar vender todas as estatais”, afirmou.


Agência Estado/Reuters/Dom Total

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