Brasil Política

22/08/2019 | domtotal.com

Pedido de expulsão de Aécio Neves do PSDB é negado e João Doria critica partido

A rejeição do pedido de expulsão é vista como uma derrota do governador de São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria, disse que 'quem perdeu foi Brasil' com rejeição de expulsão de Aécio Neves (foto).
O governador de São Paulo, João Doria, disse que 'quem perdeu foi Brasil' com rejeição de expulsão de Aécio Neves (foto). (GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO)

A executiva nacional do PSDB rejeitou o pedido de expulsão do partido do deputado Aécio Neves (PSDB-MG). Em uma reunião que durou cerca de cinco horas, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) apresentou seu parecer contra a representação feita pelos diretórios municipal e estadual do partido em São Paulo que pedia a saída do ex-candidato à Presidência da República. Sabino considerou que não havia motivos e pediu pela rejeição. "Deputado não tem nenhuma condenação", disse. "Partido não tem motivos para fazer a expulsão", disse. Quem não gostou nada do resultado foi o governador de São Paulo João Doria (PSDB-SP), que criticou a decisão.

A maioria dos membros presentes votou com o relator e, com isso, o pedido foi rejeitado. Foram 30 votos a favor. Apenas quatro foram contra o relatório e pediram para que o processo de expulsão fosse aberto. Foram eles, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, o tesoureiro do partido César Gontijo e o secretário de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido. Houve uma abstenção do líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP).

A rejeição do pedido de expulsão é considerada como uma derrota ao governador de São Paulo, João Doria, um dos principais defensores da expulsão de Aécio do partido. O movimento para expulsar Aécio é parte do que Doria chamou de "faxina ética" no PSDB, que ano passado teve o pior desempenho eleitoral de sua história. Há o temor de que a permanência de Aécio no partido atrapalhe os planos eleitorais de Doria, para a Presidência em 2022, e de Bruno Covas, prefeito de São Paulo, que disputará a recondução ao cargo nas eleições do ano que vem.

O presidente do partido, Bruno Araújo, disse que a decisão foi democrática e negou significasse uma derrota a Doria. "João Doria é um aliado e um pré-candidato a presidente de todos nós no partido. É uma discussão aparteada de relações pessoais e políticas", disse.

Segundo Araújo, o PSDB respeitou as instâncias do partido de forma democrática. "Em cinco horas, o partido decidiu pelo arquivamento", disse. "O assunto Aécio Neves em relação aos fatos apresentados está encerrado", afirmou. Segundo ele, mesmo que chegue qualquer nova representação pedindo a expulsão de Aécio, em relação aos mesmos fatos, isso será arquivado.

Inquéritos

Aécio é alvo de ao menos oito inquéritos, abertos após delações da Odebrecht, da JBS e do ex-senador petista Delcídio do Amaral, e também é réu ainda não julgado, sob acusação de corrupção passiva e obstrução da Justiça. Para alguns, ele é uma mancha na imagem dos tucanos, para outros ele está apenas sendo sacrificado em prol da pré-campanha de Doria ao Palácio do Planalto.

Para Aécio, a decisão do partido foi democrática. "O partido tomou uma decisão serena e democrática, não há aqui vitoriosos e vencidos", afirmou o deputado. "Acho que isso permitirá que o PSDB cumpra seu papel de um partido de centro, com a grave preocupação social e que pode voltar a ser protagonista no processo político brasileiro", afirmou Aécio.

Questionado se a decisão era uma derrota a Doria, ele disse que não vê dessa forma. "Decisão respeita estatuto e história daqueles que construíram história do PSDB. O partido simplesmente disse que tem regras", afirmou.

João Doria não gostou

Já Doria condenou a decisão da Executiva Nacional do PSDB de rejeitar a expulsão de Aécio. "Respeito a votação, mas ela não reflete o sentimento da opinião pública brasileira. Cada membro da executiva deve responder por sua posição. A minha é clara: Aécio Neves deve se afastar do PSDB e fazer sua defesa fora do partido. O derrotado neste caso não foi quem defendeu o afastamento de Aécio. Quem perdeu foi o Brasil", disse Doria em nota.

O presidente do Diretório Estadual do PSDB, Marco Vinholi, também emitiu nota condenando a decisão. "A decisão da Executiva Nacional de arquivar a representação contra o deputado Aécio Neves não representa uma derrota de São Paulo, muito menos do governador João Doria ou do prefeito de São Paulo, Bruno Covas. É, isto sim, uma derrota do PSDB, que optou por ficar do lado errado da história. Mantemos nossa posição de trabalhar pela construção de um partido firme, ético e que represente os anseios do povo brasileiro", disse.


Agência Estado/DomTotal.com

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!


Instituições Conveniadas