Cultura

23/08/2019 | domtotal.com

A lucidez que ilumina e anima - Weiwei

A exposição Raiz, de Ai Weiwei, é uma obra potente e impactante.

Mutuofagia, trabalho de Ai Weiwei
Mutuofagia, trabalho de Ai Weiwei (Eleonora Santa Rosa)

Por Eleonora Santa Rosa*

Abriu esta semana no Rio, no CCBB, a exposição Raiz, de Ai Weiwei, com bela e certeira curadoria de Marcello Dantas. Potente, impactante, mais do que um programa necessário, fundamental para qualquer pessoa minimamente sensível, interessada, atenta, plugada, sintonizada, preocupada, impactada com o que acontece hoje, no mundo. Bem urdida, bem montada, com uma excelente e didática (no melhor sentido) cronologia da trajetória do artista chinês, um dos mais respeitados e importantes da atualidade, a mostra surpreende e emociona.

Essencial compreender a história familiar de Ai Weiwei, de seu pai (Ai Quing) consagrado poeta e intelectual chinês, que comeu o pão que Mao Tsé-Tung amassou durante a revolução cultural na China, tendo vivido o suficiente para ver os que o baniram e o maltrataram serem por sua vez banidos e expurgados, assistindo, ainda, com dignidade e inteireza, à sua ‘reabilitação’ pública. A vida de percalços, perseguições e intimidações também sofridas pelo artista-filho impressiona e reafirma o caráter de resistência, de ativismo, de contraposição e de superação de Weiwei. Imperdível por tudo que traz, aborda, discute e documenta, Raiz ganha dimensão e significado ainda mais especial nos dias de agora.

Impossível ficar imune às frases que enfeixam seus pensamentos, estrategicamente distribuídas ao longo do espaço expositivo com suas obras, algumas das quais compartilho com vocês, queridos leitores:

 “Tudo é arte. Tudo é política.”

“Minha palavra favorita? É ‘agir’”.

“ Se você desviar o olhar, você é conivente.”

 “A liberdade diz respeito a nosso direito de questionar tudo.”

“O computador do governo tem uma tecla: deletar.”

“ Se uma nação não pode enfrentar seu passado, não tem futuro.”

“Antiguidades existem como evidência das pegadas culturais que deixamos no passado.”

“Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos.”

 “A história nos ensina que no início das maiores tragédias havia ignorância. ”

“Temos que lembrar que não temos escolha. Ou estamos do lado certo ou do lado errado.”

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*Ex-secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, atualmente é diretora executiva do Museu de Arte do Rio – MAR.

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