Economia

23/08/2019 | domtotal.com

FGV: apesar de espera por FGTS, mercado de trabalho ainda trava ímpeto de compra


(Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A expectativa pela liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) melhorou o humor do consumidor brasileiro em agosto, mas o mercado de trabalho ainda em situação crítica está travando o ímpeto de compras de bens de consumo duráveis. 

O saldo positivo do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em agosto deve ser encarado com certa cautela, alertou Viviane Seda Bittencourt, Coordenadora das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). 

O ICC subiu 1,1 ponto em agosto ante julho, para 89,2 pontos, patamar considerado ainda na zona desfavorável. "O índice está longe ainda dos 100 pontos, do patamar de neutralidade", explicou Seda Bittencourt.

Em agosto, o Índice de Situação Atual (ISA) aumentou 3,4 pontos, para 78,7 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,5 ponto, para 97,2 pontos.

O componente que mede o otimismo das famílias com a situação financeira nos próximos meses avançou 7,1 pontos. As avaliações dos consumidores sobre a situação financeira atual cresceram 4,7 pontos, para 74,9.

"A melhora na confiança foi motivada pelas famílias na faixa de renda 1 (que recebem até 2.100 mensais). Na minha avaliação, isso está relacionado à expectativa de liberação do FGTS e do PIS/Pasep. Não sei se é um fenômeno tão sustentável. A avaliação do emprego piorou. A expectativa para essa faixa de renda também está piorando", lembrou a pesquisadora do Ibre/FGV.

A intenção de compras de bens duráveis caiu 10,9 pontos em agosto, para 72,2 pontos, o menor nível desde janeiro de 2017.

"Como não está vendo recuperação do mercado de trabalho, o consumidor ainda está cauteloso para comprar. O emprego não está vindo", disse Seda Bittencourt.

Entre as famílias com renda mensal até R$ 2.100, a confiança cresceu 5,2 pontos em agosto. Na faixa mais rica, com renda mensal acima de R$ 9.600 mensais, a confiança recuou 0,7 ponto.

Norte e Nordeste

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia divulgou um estudo mostrando que a liberação dos saques terá impacto mais importante no aumento da renda familiar dos habitantes das regiões Norte e Nordeste.

"A medida tem efeitos positivos e relevantes para as famílias dessas regiões, principalmente para aquelas que possuem maior restrição orçamentária, o que dificulta a compra mensal de itens da cesta básica e o pagamento de dívidas em atraso", considera a nota técnica da SPE.

De acordo com o documento, os saques médios a serem liberados representam 21,5% da renda habitual média da região Nordeste, e 20,1% da renda habitual média do Norte. No Sudeste, onde vive a maior parte dos beneficiários dos saques, o valor a ser liberado corresponde a 18,5% da renda habitual média dos trabalhadores.

O estudo cita ainda dados do SPC Brasil que mostram que 44% das pessoas com dívidas no Nordeste têm débitos de até R$ 500, enquanto na região Norte esse porcentual é de 42%.

"O valor liberado para o Saque Imediato possibilitará que uma parcela significativa de pessoas físicas dessas regiões quite seus débitos, limpando o nome junto a instituições financeiras, e evitando desta maneira a contratação de dívidas, que serão reajustadas a valores de mercado, o que poderá aumentar significativamente o valor futuro deste montante", avalia a SPE.

Por outro lado, considerando o volume bruto liberado do FGTS como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) de cada região, os saques terão mais relevância para o Sudeste, chegando ao equivalente a 0,64% do valor dos bens e serviços produzidos nesses Estados. Nas regiões Sul e Nordeste, essa proporção ficará em 0,56%.

"Analisando-se esse porcentual desagregado para os Estados, é possível observar que ele é particularmente elevado para São Paulo (0,70%), Goiás (0,60%), Ceará (0,59%) e Alagoas (0,59%)", destaca a SPE.


Agência Estado

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas