Religião

26/08/2019 | domtotal.com

Salvar o planeta é descer o Cristo da cruz

O sistema econômico que rege a maior parte dos países do mundo é predatório.

Os retrocessos nas políticas ambientais de nosso país são extremamente graves
Os retrocessos nas políticas ambientais de nosso país são extremamente graves (Daniel Beltra / Greenpeace)

Por Felipe Magalhães Francisco*

O planeta está em franca destruição. Enquanto deveríamos estar mudando o rumo do comportamento humano, criando novas maneiras saudáveis e harmônicas para habitar esta Casa Comum, estamos em meio a uma discussão estúpida sobre a Terra ser ou não plana. O sistema econômico que rege a maior parte dos países do mundo é predatório: o imperativo é o lucro desmedido, que cresce ao passo em que o planeta é destruído e, com ele, a vida humana, quando o empobrecimento da grande massa humana é um projeto rentável para os senhores do capital.

O capitalismo é demoníaco. Não significa que a salvação do sistema político esteja no comunismo ou no socialismo. Significa, antes de tudo, que é preciso criar estratégias de desenvolvimento humano – diferentemente do maldito progresso! – no qual sejamos plenamente integrados à natureza, de forma responsável e harmoniosa. O desenvolvimento, aqui, significa alcançar as potencialidades verdadeiramente humanas.

Os países desenvolvidos, depois de se tornarem desenvolvidos graças à espoliação dos recursos e riquezas naturais dos países colonizados, agora se dão conta do estrago causado. Aos países em desenvolvimento, resta a pobreza endêmica e as consequências globais das políticas predatórias. O que seria da economia brasileira, desde a maneira em que ela foi constituída, se não fossem as exportações de matéria prima, e que agora se convencionou chamar commodities? Crimes como os da Vale, em Minas Gerais, são o retrato exato e não editado do drama do que significa o capitalismo.

Para piorar, temos uma elite brasileira, que é verdadeira elite do atraso, para dizer de uma expressão de Jessé Souza. Essa elite é perfeitamente representada por Jair Bolsonaro e pela composição do atual governo. Nada mais simbólico que um presidente que bata continência para a bandeira do país que tem aspirações imperialistas. Em Jair Bolsonaro, temos uma repaginação dos pactos de vassalagem, próprios do período feudal. Se há 20 anos, numa política parecida, embaixadores brasileiros precisavam tirar os sapatos nos aeroportos estadunidenses, e isso já se revelava um descalabro de insignificância, agora o próprio presidente brasileiro se mostra um belo patriota norte-americano. E não é assim toda a nossa elite? Pior: não é assim, a maior parte de nossa classe média, deslumbrada que só ela?

Os retrocessos nas políticas ambientais de nosso país são extremamente graves. Essas queimadas que arrasam a Amazônia, tal como temos acompanhado nestes últimos dias, revelam o tanto que esse governo é diabólico, demoníaco e satânico. Aos cristãos e cristãs que apoiaram e apoiam essa catástrofe, o juízo da fé deve arder, tal como as chamas que arrasam com a floresta. Os tempos em que vivemos em nosso país são tão obscuros quanto o céu tomado pela fumaça das queimadas. Reatualizam o calvário de Jesus, quando também o céu se tornou sombrio (cf. Mt 27,45). É sob as sombras, que o Cristo lança seu grito e morre, injustiçado, tal como nossa floresta: a criação inteira geme como que em dores de parto (cf. Rm 8,22).

Enganam-se os cristãos e cristãs que pensam a salvação só para as pessoas humanas. Toda a criação anseia por salvação e, diante da destruição causada pela ganância e pela irresponsabilidade humanas, mais que nunca ela geme. Não lidar com o mundo criado de forma ética, é crucificar o Cristo, afinal, tudo foi criado por intermédio dele e nele é chamado a subsistir (cf. Cl 1,14-15), acreditam os cristãos e cristãs que são cônscios da própria fé. Salvar o planeta e, agora, nossa Amazônia, nossos rios, o que restou de nossas florestas, nossa água, nosso solo... é descer o Cristo da cruz da injustiça. É hora de, profeticamente, reagir!

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
Saiba mais!

Comentários


Instituições Conveniadas