Religião

24/08/2019 | domtotal.com

Confiança sim, frivolidade, não

A leitura que a Igreja propõe é o Evangelho segundo Lucas 13, 22-30, que corresponde ao 21° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico.

'Pouco a pouco, estamos convertendo-nos em seres triviais, carregados de tópicos, sem consistências interiores nem ideais'
'Pouco a pouco, estamos convertendo-nos em seres triviais, carregados de tópicos, sem consistências interiores nem ideais' (Pixabay)

Por José Antônio Pagola*

A sociedade moderna vai impondo cada vez mais força, um estilo de vida marcado pelo pragmatismo do imediato. Pouco interessam as grandes questões da existência. Já não temos certezas firmes ou convicções profundas. Pouco a pouco, estamos convertendo-nos em seres triviais, carregados de tópicos, sem consistências interiores nem ideais que alentem o nosso viver diário, para além do bem-estar e da segurança do momento.

É muito significativo observar a atitude generalizada de muitos cristãos diante da questão da «salvação eterna» que tanto preocupava há não muitos anos: muitos a apagaram, sem mais, da sua consciência; alguns ainda sentem-se com direito a um «final feliz»; outros já não pensam nem em prêmios ou castigos.

Segundo o relato de Lucas, um desconhecido faz a Jesus uma pergunta frequente naquela sociedade religiosa: «Serão poucos os que se salvam?». Jesus não responde diretamente à sua pergunta. Não lhe interessa especular sobre esse tipo de questões, tão queridas por alguns mestres da época. Vai diretamente ao essencial e decisivo: como devemos agir para não sermos excluídos da salvação que Deus oferece a todos?

«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita». Estas são as suas primeiras palavras. Deus abre-nos a todos a porta da vida eterna, mas devemos esforçar-nos e trabalhar para entrar por ela. Esta é a atitude saudável. Confiança em Deus, sim; frivolidade, despreocupação e falsas seguranças, não.

Jesus insiste, acima de tudo, em não nos enganar com falsas seguranças. Não é suficiente pertencer ao povo de Israel; não é suficiente ter conhecido pessoalmente Jesus nos caminhos da Galileia. O decisivo é entrar desde agora no reino de Deus e da Sua justiça. De fato, aqueles que são deixados de fora do banquete final são, literalmente, «aqueles que praticam a injustiça».

Jesus convida à confiança e à responsabilidade. No banquete final do reino de Deus não se sentarão somente os patriarcas e profetas de Israel. Estarão também pagãos vindos de todos os cantos do mundo. Estar dentro ou estar fora depende de como cada um deles responde à salvação que Deus oferece a todos.

Jesus termina com um provérbio que resume sua mensagem. Em relação ao reino de Deus, «há últimos que serão os primeiros e primeiros que serão os últimos». Sua advertência é clara. Alguns que se sentem seguros de serem admitidos podem ficar de fora. Outros que parecem excluídos de antemão podem ficar dentro.

*José Antonio Pagola é padre e tem dedicado a sua vida aos estudos bíblicos, nomeadamente à investigação sobre o Jesus histórico. Nascido em 1937, é licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), licenciado em Sagradas Escrituras pelo Instituto Bíblico de Roma (1965), e diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). Professor no seminário de San Sebastián (Espanha) e na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha (sede de Vitória), foi também reitor do seminário diocesano de San Sebastián e vigário-geral da diocese de San Sebastián.

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