Religião

27/08/2019 | domtotal.com

Do caos ao amor

A fé cristã sempre leu a humanidade a partir dos olhos criadores de Deus que se vê admirado pela criatura humana que é muito bela e boa.

Precisamente, a fé cristã nos ensinou que esse caminho é Jesus Cristo. Ele é o caminho e a própria vida.
Precisamente, a fé cristã nos ensinou que esse caminho é Jesus Cristo. Ele é o caminho e a própria vida. (Pixabay)

Por Tânia da Silva Mayer*

Não sem razões, o sentimento do mundo que nos toca é o de que a realidade que estamos vivendo está caótica. Essa percepção do caos que nos rodeia e no qual parecemos estar imersos se dá porque o que estamos vendo e ouvindo das relações humanas e cósmicas sinalizam para a intolerância, para a violência e para a morte. Os meios e canais de notícias são alimentados por fatos que revelam que esse projeto de mundo que herdamos e ajudamos a construir está em ruínas. Por isso, aquilo que consumimos pelos veículos de comunicação são notícias de assassinatos, de corrupções, de violências diversas que impactam e nos colocam em estado de choque por pensar até onde a maldade humana foi capaz de chegar.

Não somente nos tornamos consumidores da maldade noticiada, mas portadores legítimos do caos do mundo. Tornamo-nos pessoas amargas, que pretendem resolver as situações à base de uma lei do Talião que determina: "olho por olho, dente por dente". Isso acontece não porque sejamos assim, mas porque acabamos nos deixando influenciar pela maré caótica da intolerância, da violência e da morte. As vibrações negativas do mundo chegam até nós e nos colocam numa vibração semelhante, porém crescente, de negatividade. Por isso, a sabedoria popular nos ensinou que "quem semeia vento, colhe tempestade".

A fé cristã sempre leu a humanidade a partir dos olhos criadores de Deus que se vê admirado pela criatura humana que é muito bela e boa. A beleza e a bondade originais nas quais fomos criados sinaliza que, em todas as épocas, nós humanos podemos ser melhores do que temos sido. Por isso, é preciso, uma vez mais, reaprender a comunicar aos outros e ao cosmos essa bondade bela que somos e na qual fomos criados. Precisamente, a ordem que põe fim ao caos passa por esse caminho que é jamais o da intolerância, da violência e da morte.

A Sagrada Escritura da fé judaico-cristã ensina que toda pessoa precisa, no uso da liberdade e com o auxílio divino, escolher entre o caminho da vida e o do morte. O desejo de Deus, no entanto, é que o ser humano goze de vida plena e abundante, não menos que isso. Desse modo, só se percorrer o caminho que conduz a Deus numa escolha e numa defesa da vida em todas as suas faces. Precisamente, a fé cristã nos ensinou que esse caminho é Jesus Cristo. Ele é o caminho e a própria vida. 

A Igreja reza, crê e anuncia que Jesus passou pela vida das pessoas fazendo o bem. Por sua doçura e bondade, promoveu a maior das transformações, não aquela social e política aguardada pelos judeus como restauração de Israel, mas a que ocorre no interior do ser humano, que é decisiva para as novas relações entre as pessoas e entre o ser humano e o cosmos. Por isso, nós cristãos devemos nos assemelhar a Jesus no agir, sentir, pensar, viver, falar e ser. A conformação a Ele é o critério de rompimento com a maldade do mundo geradora do caos que não deve vibrar no mundo, sobretudo entre nós. É a partir do amor, e somente por ele, que seremos capazes de mudar o mundo "em festa, trabalho e pão".

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.

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