Meio Ambiente

27/08/2019 | domtotal.com

Fogo avança na Amazônia, mas Brasil rejeita ajuda do G7 para combater incêndios

Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, fez o anúncio que o país recusará o auxílio europeu e aconselhou Macron a da "sua casa e das suas colônias".

Imagem registrada no domingo (25) mostra uma plantação de eucaliptos atingida pelos incêndios em Humaitá, no interior do estado do Amazonas.
Imagem registrada no domingo (25) mostra uma plantação de eucaliptos atingida pelos incêndios em Humaitá, no interior do estado do Amazonas. (GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO)

O Brasil recusou nessa segunda-feira (26) a ajuda dos países do G7 para combater os incêndios na Amazônia, informou Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, que aconselhou o presidente francês, Emmanuel Macron, a cuidar da "sua casa e das suas colônias". A decisão vai na contramão da situação atual, pois ao menos mil novos focos de incêndio foram declarados nas últimas horas na Amazônia. Preocupados, oito ex-ministros do Meio Ambiente propõem moratória a projetos que tramitam hoje no Congresso e que podem aumentar os riscos de desmatamento no país.

Sobre a ajuda do G7, o Planalto se manifestou através do ministro-chefe da Casa Civil. "Agradecemos, mas talvez estes recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa", disse Onyx Lorenzoni ao portal de notícias G1, em referência ao fundo de US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) para os países amazônicos anunciado por Macron durante a Cúpula do G7 em Biarritz.

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"O Macron não consegue sequer evitar um previsível incêndio em uma igreja que é um patrimônio da humanidade e quer ensinar o quê para nosso país?! Ele tem muito o que cuidar em casa e nas colônias francesas", disparou Onyx.

"O Brasil é uma nação democrática, livre e nunca teve práticas colonialistas e imperialistas como talvez seja o objetivo do francês Macron, que coincidentemente está com altas taxas internas de rejeição", declarou o ministro-chefe da Casa Civil.

Onyx Lorenzoni destacou ainda que o Brasil pode ensinar "a qualquer nação" como proteger matas nativas. "Aliás, não existe nenhum país que tenha uma cobertura nativa maior que o nosso".

Durante o dia, o presidente Jair Bolsonaro havia questionado "as intenções" de Macron sobre a Amazônia.

"Não podemos aceitar que um presidente, Macron, dispare ataques descabidos e gratuitos à Amazônia, nem que disfarce suas intenções atrás da ideia de uma 'aliança' dos países do G-7 para 'salvar' a Amazônia, como se fôssemos uma colônia ou uma terra de ninguém", tuitou o presidente.

Fogo avança

Ao menos mil novos focos de incêndio foram declarados nas últimas horas na Amazônia, enquanto os aviões do Exército Brasileiro atravessaram nessa segunda-feira as grandes áreas afetadas para tentar conter as chamas que mobilizaram a atenção dos líderes do G7 e mantiveram o mundo em suspense.

Porto Velho, capital do estado de Rondônia (norte), acordou com uma leve neblina de fumaça e cheiro de queimado trazido pelos ventos dos incêndios florestais na região, relataram jornalistas presentes no local.

Até domingo (25), 80.626 focos de incêndios foram registrados em todo o Brasil, 1.113 novos focos em relação ao relatório de sábado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O saldo marca um aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano passado. No total, 52,6% dos focos estão localizados na região amazônica.

Mas o ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Silva, garantiu nessa segunda-feira que os incêndios na Amazônia estão sob controle após o envio de mais 2.500 militares e as chuvas que caíram em algumas regiões.

"Tem se alardeado um pouco que a situação está fora de controle, mas não está mesmo. Nós tivemos picos de queimadas em outros anos muito maiores do que neste ano aqui e pela primeira vez foi empregada uma rapidez muito boa".

"É lógico a situação não é simples, mas ela está sob controle e já arrefecendo bem. Aí, em princípio, até a meteorologia ajudou porque numa parte da Amazônia oeste hoje teve uma situação de chuvas e isso ajuda bastante".

Dois aviões-cisterna Hércules C-130 baseados em Porto Velho iniciaram suas atividades, lançando dezenas de milhares de litros de água nos pontos de incêndio.

Os dispositivos fazem parte da operação militar ordenada na sexta-feira (23) pelo presidente Jair Bolsonaro, sob pressão interna e internacional. Cerca de 43 mil soldados de regimentos da Amazônia estão prontos para entrar em atividade, informou Fernando Azevedo e Silva.

No Brasil, o crescente desmatamento causado a abrir espaço para as plantações ou pastagens agravou a temporada de queimadas habitual, dizem os especialistas.

O incêndio desencadeou um debate de alta tensão entre Bolsonaro e seu colega francês Emmanuel Macron, que levantou a questão na Amazônia na cúpula das maiores potências econômicas ocidentais, o G7, em Biarritz (sul da França).

O G7 concordou em repassar 20 milhões de dólares ao combate contra o fogo na Amazônia, a fim de somar mais aviões para controle do fogo.

A cúpula também acertou apoiar um plano de reflorestamento de médio prazo que será anunciado na ONU em setembro, disse Macron e o presidente do Chile, Sebastián Piñera.

Bolsonaro disse nesta segunda-feira que Macron "disfarça suas intenções" ao propor "uma 'aliança' dos países do G7 para 'salvar' a Amazônia, como se fôssemos uma colônia ou terra de ninguém".

Ele também indicou que conversou com o presidente colombiano Iván Duque sobre "a necessidade de ter um plano conjunto entre a maioria dos países que compõem a Amazônia, que garanta nossa soberania e nossa riqueza natural".

O Brasil aceitou até o momento a ajuda de Israel, que ofereceu enviar um avião.

Ex-ministros do Meio Ambiente

Oito ex-ministros do Meio Ambiente irão entregar aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), uma carta pedindo uma moratória a projetos que tramitam hoje no Congresso e que podem aumentar os riscos de desmatamento no país.

Segundo a ex-ministra Izabella Teixeira, uma das signatárias do documento que está sendo preparado, a intenção é que o Congresso pare a tramitação das propostas e analise com mais tempo os projetos e seus impactos.

Fazem parte do grupo, além de Izabella, os ex-ministros Carlos Minc, José Goldemberg, Rubens Ricupero, José Carlos Carvalho, Marina Silva, José Sarney Filho e Edson Duarte, que atuaram nos últimos seis governos, desde Fernando Collor de Mello.

Entre os projetos que os ex-ministros querem ver suspensos estão propostas que afrouxam as normas para licenciamento ambiental. 

O que traz maior impacto, patrocinado pela bancada ruralista, tramita desde 2004, ganhou regime de urgência no início do ano passado e está pronto para ir a plenário.

Entre outros pontos, dá a Estados e municípios poder para definir as regras para licenciamento -- hoje todos precisam seguir pelo menos as definidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente -- e estabelece um prazo máximo para concessão de licença.

Além disso, retira a necessidade de licenciamento para atividades como pecuária extensiva, silvicultura, agroindústria de menor porte e empreendimentos rodoviários.

Outros projetos citados pelos ministros são os que alteram a criação de reservas ambientais e indígenas e propostas que o governo pretende apresentar, como o de regularizar o garimpo em terras indígenas.

Essa é a segunda ação dos ex-ministros. Em maio deste ano, os oito se uniram para preparar uma primeira carta que, à época, criticava o que chamavam de ações de desmonte da estrutura do ministério.


AFP/Domtotal.com

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