Brasil Cidades

30/08/2019 | domtotal.com

Notícias de Amelia

Teria a aeronave afundado para sempre?

A versão atual sugere que Amelia, confusa, afastou-se da ilha Howland, onde havia pista e combustível à sua espera.
A versão atual sugere que Amelia, confusa, afastou-se da ilha Howland, onde havia pista e combustível à sua espera. (Reprodução)

Por Fernando Fabbrini*

Convivendo desde a infância com pilotos e aviões, não escapei de mergulhar na fantástica saga de Amelia Earhart, famosa aviadora norte-americana dos anos 1930. Pioneira da aviação, Amelia era também defensora dos direitos femininos, abrindo as portas da profissão – ou dando asas – às mulheres de seu tempo. Sua história rendeu um filme estrelado pela excelente Hilary Swank e com Richard Gere no papel de seu marido e incentivador.

Em 1932, Amelia decolou da costa americana pilotando um pequeno monomotor Lockheed Vega através do Atlântico, repetindo Charles Lindbergh. O pouso de emergência num descampado da Irlanda foi providencial, já que o combustível estava praticamente esgotado. Veio a fama, a fortuna, as atenções merecidas. Amiga da primeira-dama Eleanor Roosevelt, demoliram alguns hábitos conservadores dos Estados Unidos daquela época.

Após inúmeras proezas aéreas, Amelia preparou-se para sua conquista mais ousada: a primeira volta ao mundo de uma mulher no comando de uma aeronave, acompanhada do mecânico Fred Noonan. Um bimotor Lockheed Electra recebeu modificações necessárias, incluindo tanques adicionais de gasolina para a etapa mais difícil – a longa travessia de um trecho do Pacífico.

Não deu certo. Prevista escala para reabastecimento na Ilha Howland, no meio da rota, não se sabe até hoje o que ocorreu. Distúrbios na comunicação via rádio ou provável engano na navegação aérea causaram seu desaparecimento em dois de julho de 1937. Prospecções sistemáticas na região, anos a fio, encontraram sinais – como pedaços de alumínio, de um para-brisas e um rolamento, peças compatíveis com o modelo do avião. Teria a aeronave afundado para sempre?

Há poucos meses, o assunto ganhou novo destaque. O motivo foi uma simples foto, tirada por acaso após o desaparecimento de Amelia Earhart, quando do naufrágio de um navio cargueiro no Atol de Nikumaroro. O local não passa de uma minúscula porção deserta na imensidão do Pacífico – porém, próximo à ilha onde Amelia deveria ter feito a escala. A fotografia mostrava, num canto, um objeto muito semelhante a um trem de pouso.  

Com o patrocínio do National Geographic, um navio de pesquisa navegou ao atol este ano. Um grupo especializado revirou cada metro quadrado da areia, dessa vez com instrumentos modernos e alta tecnologia. No meio da escassa vegetação, apesar de passados mais de 80 anos, cães farejadores indicaram possível presença de restos humanos.

Assim, a versão atual sugere que Amelia, confusa, afastou-se da Ilha Howland, onde havia pista e combustível à sua espera. Quase em pane seca, arriscou uma aterrissagem forçada no Atol Nikumaroro. Sua intenção talvez tenha sido pousar na água e aguardar socorro, mas a aeronave destroçou-se na tentativa. Sem comunicação, provavelmente feridos, ela e seu mecânico encontraram o fim naquele abandono.

Certamente Amelia Earhart serviu de inspiração para a brasileira Ada Rogato, aviadora de muitos feitos na América do Sul nos anos 1950 – incluindo a transposição dos Andes e da selva amazônica, pilotando solitária monomotores, só com ajuda de bússola. Ficam os bons exemplos de coragem e determinação de duas mulheres que sonharam e voaram alto – em todos os sentidos.

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O Tempo.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
Saiba mais!

Comentários


Instituições Conveniadas