Religião

09/09/2019 | domtotal.com

Governo Bolsonaro está espionando o Sínodo da Amazônia, mas sem infiltrar agentes

Abin acompanha o Sínodo da Amazônia por meio de informações obtidas em fontes abertas e repassadas por outros órgãos federais.

Papa Francisco durante encontro com índios amazônicos em Puerto Maldonado, Peru, em 2018.
Papa Francisco durante encontro com índios amazônicos em Puerto Maldonado, Peru, em 2018. (AFP/L'Osservatore Romano)

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República informou, em documento oficial, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não infiltrou agentes para espionar bispos da Igreja Católica na preparação do Sínodo da Amazônia. Segundo o GSI, a Abin acompanha o sínodo por meio de informações obtidas em fontes abertas e repassadas por outros órgãos federais.

"Movimento social, membros da igreja, comunidades indígenas e quilombolas, assentamentos rurais ou ONG não estão sendo monitorados por parte da Abin. Ocorre, no entanto, o acompanhamento por meio de fontes abertas para atualização de cenários e avaliação da conjuntura interna", diz o documento, assinado pelo ministro Augusto Heleno. "Cabe à inteligência entender determinados fenômenos com fim exclusivo de averiguar seu potencial efeito lesivo à sociedade e ao Estado. Isso não se reflete, necessariamente, na realização no monitoramento de pessoas."

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O sínodo será realizado em outubro, durante três semanas, no Vaticano. Cerca de 250 bispos devem participar, além de convidados do papa Francisco.

Interpretação


O evento principal é uma série de assembleias de bispos católicos para discutir temas ligados à evangelização e problemas socioambientais na Amazônia. Em documento ao Vaticano, os bispos criticam a exploração econômica, a destruição ambiental e o descaso com povos originários, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. De dimensão política, alguns trechos geraram interpretações, principalmente entre militares, de que poderia haver um questionamento à soberania brasileira – o que os clérigos negam.

O GSI cita, como fontes abertas, veículos de imprensa, periódicos, sites da Igreja Católica e de organizações diretamente vinculadas à organização do sínodo, como a Rede Eclesial Pan-Amazônica e redes sociais. O órgão negou realizar o monitoramento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de entidades vinculadas, como a Comissão Pastoral da Terra e o Conselho Indigenista Missionário.

O ofício foi assinado em maio e encaminhado ao gabinete do deputado Ivan Valente (PSOL-SP). O GSI nega ter feito objeções à realização do sínodo, mas sustenta que a pauta abordará temas ligados à soberania nacional.

O órgão destaca um trecho do documento preparatório do sínodo em que a Igreja afirma que "reconhecer o território amazônico como bacia além das fronteiras dos países facilita a visão integral da região, o que é essencial para a promoção de seu desenvolvimento e de uma ecologia integral".

No fim de agosto, o presidente Jair Bolsonaro reconheceu que a Abin monitora os preparativos do sínodo. Ele afirmou que a assembleia de bispos católicos "tem muita influência política" e que a agência monitora todos os grandes grupos.

Campanha

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou uma campanha nas redes sociais e em veículos de comunicação católicos em defesa do papa Francisco e do Sínodo da Amazônia. A intenção é rebater críticas de dentro e de fora da Igreja ao encontro marcado para outubro em Roma. A campanha foi divulgada com duas frases para marcar o conteúdo nas redes sociais: #euapoioosínodo #euapoioopapa #sinodoamazonico.


Agência Estado e DomTotal

EMGE

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