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10/09/2019 | domtotal.com

Colaborador da Funai é assassinado na Amazônia e associações indígenas pedem apoio do MPF

Segundo entidade, há indícios de que esse crime tenha ocorrido em represália à sua atuação no combate a práticas de ilícitos no interior da Terra Indígena Vale do Javari.

Terra Indígena Vale do Javari é uma das maiores terras indígenas demarcadas do país, com mais de 8 milhões de hectares.
Terra Indígena Vale do Javari é uma das maiores terras indígenas demarcadas do país, com mais de 8 milhões de hectares. Foto (Ester Maia/Funai)
(Arquivo) Barcos fazem patrulha no rio Solimões, em Tabatinga
(Arquivo) Barcos fazem patrulha no rio Solimões, em Tabatinga Foto (AFP)

A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou o assassinato de um colaborador e ex-servidor do órgão federal numa região no extremo oeste do estado do Amazonas. A Funai "vem a público lamentar o assassinato de Maxciel Pereira dos Santos, colaborador eventual em Tabatinga", pequena cidade na fronteira com Peru e Colômbia, às 18h30 da sexta-feira passada, informou a fundação através de seu site.

O indigenista foi morto na "frente da família" numa rua movimentada e "há indícios de que esse crime bárbaro tenha ocorrido em represália à sua atuação no combate a práticas de ilícitos no interior da Terra Indígena Vale do Javari", denunciou a Indigenistas Associados (INA), associação de servidores da Funai.

No comunicado, a fundação acrescenta que advertiu a polícia "de possíveis atos de violência" na região onde Maxciel trabalhava. "Todas as [informações da Funai] foram repassadas ao Departamento de Polícia Federal para que procedesse às necessárias investigações em virtude dos indícios de crimes", aponta a nota.

A Terra Indígena Vale do Javari é uma das maiores terras indígenas demarcadas do país, com mais de 8 milhões de hectares. É a região com maior concentração de registros de povos indígenas isolados, com dez referências confirmadas e três em estudo.

Apoio do MPF

A organização indígena União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) vai acionar o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, para que investiguem o assassinato do colaborador da Fundação Nacional do Índio (Funai) Maxciel Pereira dos Santos, ocorrido na última sexta-feira, 6, na cidade de Tabatinga (AM).

"Queremos que as investigações sejam realizadas pela Polícia Federal e MPF, pois acreditamos que o ocorrido esteja relacionado aos trabalhos finalísticos da Funai, já que essa foi a atuação do servidor há mais de 12 anos consecutivos em nossa região", declarou a Univaja.

A Indigenistas Associados (INA), associação de servidores da Funai, também manifestou "extremo pesar com seu assassinato, e espera rápida e rigorosa investigação do ocorrido". "Este episódio trágico e extremo se soma a muitos outros. Nos mais diferentes contextos, da Amazônia à Região Sul do país, indígenas, servidores e colaboradores atuam em condições precárias e insuficientes na proteção de Terras Indígenas. Por conta da participação em ações de combate a ilícitos nesses territórios, encontram-se cada vez mais ameaçados e vulneráveis" declarou a INA.

Maxciel trabalhava há mais de 12 anos com a Funai na "proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas", atuando inclusive como chefe do Serviço de Gestão Ambiental e Territorial no Vale do Javari, informou o Indigenistas Associados.

Na Terra Indígena Vale do Javari vive "o maior número de indígenas isolados do mundo" e a região é alvo permanente de "organizações criminosas para a exploração ilegal da caça, pesca, madeira e ouro", acrescentou a instituição.

Desde o ano passado, foram registrados "quatro ataques perpetrados contra equipes de vigilância da terra indígena", informou.

Encontro de líderes

Na mesma sexta-feira do crime, os líderes e representantes de sete dos nove países que compartilham a Amazônia definiram no encontro realizado na cidade colombiana de Leticia, na fronteira com Tabatinga, medidas de proteção para a maior floresta tropical do planeta, atormentada por incêndios e desmatamento.

Em meio à crise internacional de incêndios na Amazônia da Bolívia e no Brasil, o texto final incluía o pedido do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, representado em Letícia pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, de reafirmar "os direitos soberanos dos países da região Amazônia sobre seus territórios e recursos naturais".

Em meio à crise internacional de incêndios na Amazônia da Bolívia e no Brasil, o texto final incluía o pedido do presidente Jair Bolsonaro, representado em Leticia pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de reafirmar "os direitos soberanos dos países da região Amazônia sobre seus territórios e recursos naturais".


AFP e Agência Estado

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