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10/09/2019 | domtotal.com

Fotógrafo suíço-americano Robert Frank morre aos 94 anos

Um dos maiores fotógrafos do mundo e documentarista, morreu nesta segunda-feira no Canadá.

Robert Frank ficou famoso com seu álbum 'The Americans' (1958), um livro de fotos que capturam o 'American way of life' e influenciou gerações.
Robert Frank ficou famoso com seu álbum 'The Americans' (1958), um livro de fotos que capturam o 'American way of life' e influenciou gerações. (AFP)

O suíço-americano Robert Frank, um dos maiores fotógrafos do mundo e documentarista, morreu na segunda-feira (9) no Canadá. A informação foi confirmada por uma porta-voz da galeria Pace/MacGill de Manhattan. "Robert faleceu essa noite por causas naturais no hospital de Inverness", na Nova Escócia. 

Robert Frank ficou famoso com seu álbum The Americans (1958), um livro de fotos em preto e branco tiradas durante suas viagens pelos Estados Unidos, um verdadeiro manifesto que influenciaria profundamente as gerações americanas subsequentes.

Transformado em clássico, The Americans se colocou contra os valores tradicionais e é o trabalho de um homem afiado que questionou e redefiniu os limites da imagem ao longo de sua carreira. "Tentei esquecer as fotos fáceis para tentar trazer algo do interior", explicou o autor, que prestigiava o senso de imediatismo e a ênfase no ponto de vista do fotógrafo.

Nascido em 9 de novembro de 1924 em Zurique, na Suíça, ele cresceu em uma família de industriais judeus alemães e se apaixonou por fotografia aos 12 anos. Treinou como assistente de fotografia em Zurique e Basileia de 1940 a 1942.

Após a Segunda Guerra Mundial, Frank se mudou para os Estados Unidos, e passou a fazer fotos de moda, além de colaborar com revistas como Fortune, Life, Look e Harper's Bazaar. Mas ele ficou "cansado do romantismo" e, armado com seu instinto e um par de câmeras, começou a gravar cenas da vida cotidiana. 

Em 1948 viajou pelas Américas Central e do Sul, percorrendo extensivamente o Peru, dos Andes à Amazônia, incluindo uma rápida incursão a Manaus no início de outubro daquele ano. Algumas das imagens dessa sua única visita ao Brasil, todas inéditas, foram apresentadas na exposição no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, em 2017.

Seu livro seminal – publicado na França em 1958 e nos Estados Unidos um ano depois – surgiu de uma série de viagens pelos Estados Unidos com sua família em meados da década de 1950, uma jornada semelhante às feitas por seu amigo e escritor Jack Kerouac e outros da Beat Generation.

As técnicas fotográficas clássicas foram de pouca utilidade para Frank, que se destacou ao apresentar vinhetas, produzindo 28 mil imagens que foram reduzidas a 83 para um livro que reescreveu as regras do fotojornalismo.

Nos balcões de lanchonetes e nos cinemas drive-in, ao longo da Rota 66, seu estilo corajoso e subjetivo revelava uma ampla gama de emoções e relacionamentos, principalmente raciais, que raramente eram encontrados nas populares revistas ilustradas da época. Como Kerouac escreveu no prefácio da edição americana do livro, Frank "sugou um poema triste da América e transformou num filme".

No fim da década de 1950, Frank passou a produzir e dirigir filmes, como o curta-metragem Pull my daisy (1959) e Cocksucker blues (1979), documentário sobre a turnê mundial de 1972 dos Rolling Stones. Desde o início dos anos 1970 retomou sua produção fotográfica e de livros de autor, dedicando-se prioritariamente a títulos de caráter autobiográfico, transitando por uma poética que questiona os limites da linguagem fotográfica e sua relação como fonte de inspiração e criação com o texto, a memória e o arquivo, resultando na série Visual diaries (2008-2017).

A década de 1970 foi de dificuldades: separado de sua esposa, com quem teve dois filhos, mudou-se com sua segunda mulher para um canto remoto da Nova Escócia, no Canadá. Sua filha morre em 1974 em um acidente de avião na Guatemala, enquanto seu filho mergulha em uma doença mental (ele se suicidou no início dos anos 1990).

Isso não o impede de desenvolver experimentações formais em torno da imagem. Dirigirá 20 filmes ao todo (incluindo curtas-metragens, ou clipes), inspirados em arte, rock, escrita, filhos e viagens, como This song for Jack (1983), Candy Mountain (1987), ou Paper route (2002).

Retorna mais ou menos à fotografia por meio da edição de instantâneos, trabalhando em negativos, ou polaroids. "Destruo o que é descritivo nas fotos para mostrar como quero", resumiu.


AFP

EMGE

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