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12/09/2019 | domtotal.com

Maduro repete Bolsonaro e ataca Bachelet

Presidente da Venezuela diz que relatório da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos é mentiroso

Maduro afirmou que Bachelet continua
Maduro afirmou que Bachelet continua "mentindo", apesar de seu governo ter dado "números oficiais" sobre a situação no país. (AFP)

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, repetiu o que fez seu colega Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, e atacou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet. Maduro acusou Michelle Bachelet, de "mentir" e não ter provas em seu último relatório sobre possíveis execuções extrajudiciais e torturas no país petroleiro.

No relatório, apresentado na segunda (9), ela "repete mentiras, mentiras e mentiras, sem mostrar provas, sem comprová-las, sem depoimentos, sem nada, Michelle Bachelet mente, mente", afirmou o mandatário em discurso na rádio e na TV.

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Bachelet apresentou, diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, um novo relatório severo sobre a situação na Venezuela, no qual disse documentar possíveis execuções extrajudiciais de uma unidade especial da polícia, conhecida como Faes, torturas e maus-tratos de pessoas "arbitrariamente privadas de sua liberdade, em particular de militares".

Em um primeiro relatório apresentado em 5 de julho, Bachelet denunciou a "erosão do Estado de Direito" na Venezuela, alertando também que as sanções internacionais agravaram a crise no país.

Maduro afirmou que Bachelet continua "mentindo", apesar de seu governo ter dado "números oficiais" sobre a situação no país, mergulhado na pior crise socioeconômica de sua história moderna, que causou o êxodo de 3,6 milhões de pessoas desde o início de 2016.

"O que Michelle Bachelet tem contra a Revolução Bolivariana? O que ela guarda contra nós? Por que sua inveja? Por que sua mesquinhez, sua atitude negativa? Michelle Bachelet, arrependa-se", afirmou Maduro.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro atacou a chefe de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, no início do mês, mais precisamente no dia 4. Bolsonaro disse na ocasião que Bachelet se intromete na soberania e nos assuntos internos do Brasil, após a ex-presidente do Chile apontar um aumento da violência policial e uma redução do espaço cívico e democrático no país.

Segundo Bolsonaro, Bachelet segue a mesma linha do presidente da França, Emmanuel Macron, com quem o líder brasileiro travou um embate sobre questões ambientais em decorrência de críticas do mandatário francês sobre o aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia.

"Michelle Bachelet, comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares", escreveu Bolsonaro em publicação nas redes sociais na quarta-feira (4).

"Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época", acrescentou Bolsonaro, fazendo referência ao ano de início da ditadura militar chilena que governou o país com mão de ferro até 1990. O pai de Michelle , o general de brigada Alberto Bachelet Martínez, foi morto pela ditadura de Pinochet.

As afirmações de Bolsonaro foram uma resposta a declarações dadas naquele dia 4 de setembro por Bachelet em entrevista coletiva em Genebra, em que a ex-presidente chilena apontou um aumento expressivo no número de mortes cometidas pela polícia no Rio de Janeiro e em São Paulo, principalmente contra negros e moradores de favelas, além de uma "diminuição do espaço cívico e democrático" no país.

Bachelet foi presidente do Chile em dois mandatos, de 2014 a 2018 e de 2006 a 2010. Ela assumiu o posto de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos em setembro do ano passado.

Piñera rebate Bolsonaro  

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, rejeitou a menção feita por Jair Bolsonaro ao pai da ex-presidente chilena que morreu torturado durante a ditadura de Agusto Pinochet. "Não compartilho a alusão feita pelo presidente Bolsonaro a uma ex-presidente do Chile e, especialmente, num assunto tão doloroso quanto a morte de seu pai", disse Piñera em comunicado público no Palácio do Governo.


AFP/Reuters/DomTotal.com

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