Saúde

12/09/2019 | domtotal.com

Minas tem maior índice de casos de dengue

Número de mortos quadruplica no país entre janeiro e agosto de 2019

Biólogos manejam larvas de mosquito na Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.
Biólogos manejam larvas de mosquito na Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. (AFP)

Uma família de Belo Horizonte é um retrato do avanço da dengue em Minas Gerais. Dados divulgados nessa quarta-feira (11) pelo Ministério da Saúde, mostram que, de janeiro até 24 de agosto, foram registrados 1,4 milhão de casos no País. Em Minas Gerais, o índice é de 2,2 mil casos a cada 100 mil habitantes. Todas as cinco pessoas da família que vive na Regional Nordeste da capital mineira tiveram dengue neste ano. E ao mesmo tempo.

"Fui a que levou mais tempo para melhorar, porque não fiquei de repouso. Ficava levando o marido e os filhos para o hospital", afirma a costureira Rosane de Jesus, de 40 anos. Na família também tiveram dengue o marido de Rosane, Alexandre Alves Costa, de 43 anos, motorista, e os três filhos do casal, Lincoln Alves Costa, 20 anos, Lucas de Jesus Alves, de 16 anos, e Isaque de Jesus Alves, de 12.

Por causa da doença, Alexandre, que trabalha como autônomo, ficou dez dias sem trabalhar. "Em uma situação dessas, a gente fica preocupado de duas maneiras. Com a saúde de todos e com o dinheiro que não entra", diz o motorista. "O que ajudou foram as cestas básicas doadas pela igreja", conta Roseane.

A dona de casa afirma que, por cerca de 15 dias, período em que todos pegaram dengue, todos passaram muito mal, com dores de cabeça, nos olhos e vômitos. A família mora em uma casa sem reboco no bairro Concórdia. O foco dos mosquitos que provavelmente picaram os moradores foi identificado em uma calha de casa vizinha.

A regional em que a família mora é a segunda em número de casos de dengue em Belo Horizonte, com 17.754 casos da doença confirmados. A Nordeste fica atrás apenas do Barreiro, com 18.254 casos confirmados, conforme o último boletim da Secretaria Municipal de Saúde, divulgado na última sexta-feira (6).

A dengue chegou com tudo também para a família da aposentada Ruth de Moura Kneipp, também moradora do Concórdia. "Não sei como peguei. Na minha casa, nunca acharam foco nenhum." Ela conta que ficou três dias internada. "Fui para o hospital e voltei no mesmo dia. Mas continuei passando mal. Tive que ir novamente, e me internaram".

Depois de dona Ruth foi a vez da filha, Andrea Kneipp Muradas, de 53 anos, que mora com o marido em uma casa no mesmo terreno que o da mãe. "Enquanto eu estava no hospital minha filha falou: 'acho que também estou com dengue'. E estava mesmo", relembra dona Ruth.

Agentes de saúde que percorrem a regional em busca de focos do mosquito Aedes Aegypti afirmam que, mesmo com campanhas de prevenção, ainda são encontrados muitos locais onde é possível o desenvolvimento das larvas.

Os profissionais de saúde se queixam ainda da forma como são tratados por moradores. "E o engraçado é que, na maioria das vezes, quem impede a entrada da gente, reclama da nossa presença são pessoas de maior poder econômico. Outro dia, achamos um foco em uma piscina coberta por lona", relata um agente de zoonoses que, na quarta-feira (11), visitava residências da regional.

Número de mortos

Ao menos 591 pessoas morreram de dengue no Brasil de janeiro até o último dia 24 de agosto, quatro vezes mais do que no mesmo período de 2018, informou o Ministério da Saúde, que examina outras 486 mortes por suspeita do vírus.

Os casos diagnosticados de dengue no país multiplicaram por sete nesse período, 1,4 milhão contra 205.791 do ano passado (+599,5%). Em 2018 foram registradas 141 mortes.

Apesar do aumento, a incidência da dengue – uma doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti – se mantém abaixo dos 1,7 milhão de casos e das 986 mortes registradas em todo 2015, a marca mais alta da série histórica iniciada em 1998.

As regiões com maior variação este ano são o sul e o sudeste, onde o número de casos teve um aumento de 3.225% e 1.713%, respectivamente.

O informe aponta um aumento da letalidade por dengue nas pessoas maiores de 60 anos, que representam 29,6% dos falecidos por esta doença. Segundo o Ministério da Saúde, entre as causas do aumento este ano estão: o volume das chuvas, as altas temperaturas e o grande número de pessoas suscetíveis a contrair o vírus, depois de anos com menor incidência e mudanças no serotipo predominante.

Os mosquitos que transmitem a dengue aos humanos costumam proliferar em zonas urbanizadas, quentes e úmidas, onde há água parada em abundância. Segundo o documento, a chikungunya também está em aumento em comparação com 2018. Embora as cifras sejam mais conservadoras, até 24 de agosto foram registrados 110.627 casos (+44,2%), com 57 mortos, 47 deles no Rio de Janeiro. Outras 65 mortes estão sendo investigadas.

Até 10 de agosto, foram identificados também 9.813 casos prováveis de zika (+47,1%), principalmente no Nordeste. As autoridades de saúde confirmaram até agora duas mortes por zika, uma doença que em 2015 se tornou uma epidemia e foi associada a más-formações congênitas como microcefalia. O Brasil decretou o fim da emergência em 2017.


AFP/Agência Estado/DomTotal.com

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