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13/09/2019 | domtotal.com

Novas tecnologias transformam as carreias jurídicas e ampliam possibilidades de atuação

Técnicas de gestão, processos computacionais e implantação de sistemas estão entre as habilidades buscadas pelo mercado.

Palestrantes do workshop sobre experiências empreendedoras de prática jurídica.
Palestrantes do workshop sobre experiências empreendedoras de prática jurídica. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Workshop sobre experiências empreendedoras de prática jurídica.
Workshop sobre experiências empreendedoras de prática jurídica. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Professor Roberto Novaes, da UFMG.
Professor Roberto Novaes, da UFMG. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Congressistas acompanham workshop sobre experiências empreendedoras de prática jurídica.
Congressistas acompanham workshop sobre experiências empreendedoras de prática jurídica. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Workshop explora relações entre literatura, lógica, matemática, computação e ficção.
Workshop explora relações entre literatura, lógica, matemática, computação e ficção. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Professor Jacques Fux falou sobre 'as possíveis relações entre a literatura, lógica, matemática, computação e ficção'.
Professor Jacques Fux falou sobre 'as possíveis relações entre a literatura, lógica, matemática, computação e ficção'. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Lorena Gonçalves apresentou:''Seja sua melhor versão: a programação neurolinguística como ferramenta para a alta performance no mundo 4.0'
Lorena Gonçalves apresentou:''Seja sua melhor versão: a programação neurolinguística como ferramenta para a alta performance no mundo 4.0' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Wagner Alessandro falou sobre 'negócios e profissão do futuro'
Wagner Alessandro falou sobre 'negócios e profissão do futuro' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Izabela Araújo, juntamente com a professora Maria Aparecida apresentaram Fanfics: prática de leitura e produção de texto digital
Izabela Araújo, juntamente com a professora Maria Aparecida apresentaram Fanfics: prática de leitura e produção de texto digital Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Wagner Alessandro falou sobre 'negócios e profissão do futuro'
Wagner Alessandro falou sobre 'negócios e profissão do futuro' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Izabela Araújo, juntamente com a professora Maria Aparecida apresentaram Fanfics: prática de leitura e produção de texto digital
Izabela Araújo, juntamente com a professora Maria Aparecida apresentaram Fanfics: prática de leitura e produção de texto digital Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Lorena Gonçalves apresentou:''Seja sua melhor versão: a programação neurolinguística como ferramenta para a alta performance no mundo 4.0'
Lorena Gonçalves apresentou:''Seja sua melhor versão: a programação neurolinguística como ferramenta para a alta performance no mundo 4.0' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Ana Marilce falou sobre marketing pessoal na rede: lições práticas de Linkedin.
Ana Marilce falou sobre marketing pessoal na rede: lições práticas de Linkedin. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Ana Marilce falou sobre marketing pessoal na rede: lições práticas de Linkedin.
Ana Marilce falou sobre marketing pessoal na rede: lições práticas de Linkedin. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Rafael Pacheco falou sobre a 'construção bots na prática com a plataforma BLiP'
Rafael Pacheco falou sobre a 'construção bots na prática com a plataforma BLiP' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Rafael Pacheco falou sobre a 'construção bots na prática com a plataforma BLiP'
Rafael Pacheco falou sobre a 'construção bots na prática com a plataforma BLiP' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Danielle Morreale falou sobre 'empreenda em si'
Danielle Morreale falou sobre 'empreenda em si' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Danielle Morreale falou sobre 'empreenda em si'
Danielle Morreale falou sobre 'empreenda em si' Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Vinícius Roman falou sobre 'startups e modelagem de negócios inovadores: Lawtechts e Construtechs.
Vinícius Roman falou sobre 'startups e modelagem de negócios inovadores: Lawtechts e Construtechs. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Vinícius Roman falou sobre 'startups e modelagem de negócios inovadores: Lawtechts e Construtechs.
Vinícius Roman falou sobre 'startups e modelagem de negócios inovadores: Lawtechts e Construtechs. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Leonardo Oliveira falou sobre vLex: Como otimizar sua pesquisa acadêmica e profissional.
Leonardo Oliveira falou sobre vLex: Como otimizar sua pesquisa acadêmica e profissional. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)
Leonardo Oliveira falou sobre vLex: Como otimizar sua pesquisa acadêmica e profissional.
Leonardo Oliveira falou sobre vLex: Como otimizar sua pesquisa acadêmica e profissional. Foto (Patrícia Almada/DomTotal)

Por Patrícia Azevedo
Repórter Dom Total

O Brasil conta hoje com 1,2 milhões de advogados e cerca de 900 mil estudantes de Direito, matriculados nos 1.684 cursos em funcionamento. Os dados são da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em contrapartida, 85 milhões de processos estão em tramitação em todo o país e aguardam uma definição, segundo relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os números foram apresentados nessa quinta-feira (12) no II Congresso do Conhecimento, em Belo Horizonte, durante workshop sobre experiências empreendedoras de prática jurídica. “Olha que contradição! Por um lado, temos um número muito grande de profissionais. Do outro, somos os campeões mundiais em processos. O que nos faria pensar que não falta trabalho para ninguém”, apontou o professor Roberto Novaes, da UFMG, um dos palestrantes do workshop.

A realidade, no entanto, é bem diferente. De acordo com o professor, a ampla oferta de profissionais torna o mercado extremamente competitivo e reduz não apenas os salários, como as perspectivas profissionais. “É a lei da oferta e da procura. Observamos uma piora das condições de trabalho, de forma geral. Uma alta rotatividade de pessoas nas organizações”, comentou. Ao mesmo tempo, cresce a carência pelo novo profissional do Direito – que possui sólida formação na área e agrega também conhecimentos de gestão, estatística, processos computacionais, implantação de sistemas, entre outros.

“Assistimos, e continuamos a assistir, a transformação que tem atingido todos os setores, em virtude das novas tecnologias. Ainda que o Direito tenha essa fama de ser muito tradicional, não está imune a essas inovações. Aquela carreira tradicional – ter escritório, fazer um concurso – ainda existe, mas é exercida de modo diferente. E existem novas possibilidades. O que podemos fazer? Quais caminhos devemos percorrer neste mundo que está em construção ainda?”, questionou o professor.

Três egressos da Dom Helder ousaram trilhar caminhos pouco convencionais e compartilharam suas experiências com os congressistas, completando o time de palestrantes do workshop. O primeiro deles é Pedro Esteves, que concluiu a graduação em 2014. Desde então, ele complementou sua formação com os cursos 'Programação Aplicada ao Direito' e 'Direito e Tecnologia', realizados na UFMG, e 'Formação de Agente de Aceleração', ofertado pelo Cotemig. Concluiu ainda pós-graduação em Ciências Criminais e advoga na área de 'Direito para Startups', principalmente. Em fevereiro deste ano, Pedro e seus parceiros conquistaram o terceiro lugar Global Legal Hackathon/Etapa Belo Horizonte, considerado o maior evento de legaltech no mundo, com o projeto JuntaMais.  

“É um evento fantástico, foi a minha imersão nesse mundo de Direito e tecnologia. O JuntaMais é uma plataforma que conecta pessoas em situações de vulnerabilidade com advogados voluntários. Tentamos atenuar esse rombo que há no acesso à Justiça, o Direito é para todos”, contou Pedro. Para tanto, o advogado e sua equipe pensaram em uma solução simples e eficiente – um site, com dois botões. Há o 'Quero ajudar', para advogados, e 'Preciso de ajuda', para pessoas em situação de vulnerabilidade. De acordo com Pedro, 90% das demandas são resolvidas com consultoria. “São dúvidas simples, sobre aposentadoria, reforma da previdência, direito do consumidor. Há muitas pessoas que podemos ajudar”, completou.

Já as egressas Betânia Dorna e Maria Cecília Marques decidiram empreender e abrir o próprio escritório – Dorna e Marques, uma ideia que surgiu quando estavam ainda no primeiro período. “Nosso projeto começou aqui. A Maria Cecília sempre teve o empreendedorismo no sangue. Eu pensava em fazer concurso público e atuar como juíza”, contou Betânia. Só que, após a vivência nos estágios, inclusive no Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da Dom Helder, a paixão pela advocacia cresceu e resultou em uma mudança nos planos. Com um ano e meio de escritório, elas conciliam o atendimento dos clientes e a atuação como advogadas dativas, experiência que trouxe muito aprendizado, novos clientes e uma nova empresa, na área de administração judicial. “Foram mais de 200 processos como dativas. Fizemos visando o amanhã”, afirmou Maria Cecília.

Bots

Outra ferramenta que pode ser valiosa para os advogados – e também para profissionais de outras áreas – é a construção de bots, uma aplicação de software concebida para simular ações humanas repetidas. O tema foi discutido no workshop "Construindo bots com a plataforma Blip", ministrado pelos engenheiros Rafael Pacheco e Breno Queiroz. Durante a atividade, eles demonstraram como os bots podem transformar a comunicação entre empresas e clientes, automatizando conversas – nesse caso, são chamados de chatbots. 

“É muito difícil que um banco ou uma empresa grande consiga atender, com um ser humano, absolutamente todas as interações. Boa parte delas pode acontecer de forma automatizada”, afirmou Rafael. Como exemplo, o engenheiro citou a solicitação de segunda via de faturas ou consultas sobre o funcionamento do serviço prestado. “Em qualquer área em que a conversa seja utilizada para resolver problemas, em algum momento, um bot pode te ajudar a fazer isso de forma digital e escalável”, reforçou.

Um bot famoso lembrado por Rafael é o DoNotPay, advogado-robô com a função de reverter multas de trânsito em Nova York e Londres. Primeiramente, ele conversa com os motoristas a respeito das infrações de trânsito. A partir das informações dadas pelas pessoas, ele orienta se a multa procede ou não, e o que deve ser feito. “Ele já recuperou mais de US$ 1 milhão, sem a interferência de um ser humano, em processos de trânsito. Claro que alguém precisou programá-lo, treiná-lo. Não é nada mágico, é bom ressaltar. Os algoritmos existem, a inteligência artificial está aí, mas é algo que demanda trabalho, tempo e conhecimento”, ponderou. Parte desse conhecimento foi compartilhado com os congressistas, que puderam aprender na prática como construir chatbots utilizando a plataforma Blip. O workshop foi realizado em uma das salas de novas tecnologias da Dom Helder, equipadas com computadores e telão interativo.

Neurolinguística

O II Congresso contou ainda com disputado workshop sobre programação neurolinguística (PNL), ministrado pela advogada e instrutora Lorena Zinato, da empresa Estrutura da Mente. A técnica foi desenvolvida em meados da década de 1970, na Califórnia, Estados Unidos, pelo psicólogo Richard Bandler e pelo linguista John Grinder. Eles se uniram para entender a razão de algumas pessoas alcançarem resultados acima da média, enquanto outras não. Suas pesquisas identificaram um conjunto de modelos e padrões que influenciam a mente, o corpo e o comportamento do indivíduo.

No workshop, Lorena apresentou conceitos básicos da PNL e demonstrou algumas técnicas de blindagem, ancoragem e respiração, para que os participantes tenham maior consciência de seus estados emocionais e ganhem impulsionamento para as atividades cotidianas. “Sempre podemos entregar um pouco mais. Não por cobranças das pessoas ou do mercado, mas porque nós podemos estar cada vez melhores conosco, mais conectados. O mundo está carente disso, de pessoas mais potencializadas”, destacou. De acordo com Lorena, a PNL pode ser aproveitada de forma especial pelos profissionais do Direito, que precisam lidar com clientes e audiências. “Muitas vezes ficamos um pouco perdidos, vulneráveis. E a PNL é uma forma da gente se encontrar, voltar a atenção para o momento presente e melhorar nossos resultados”, completou.

Balanço 

No total, foram oferecidos 10 workshops durante o II Congresso do Conhecimento, sob a coordenação do professor Rogério Vieira, do Núcleo de Ensino Personalizado (NEP) da Dom Helder. “Pensamos nos temas e assuntos que estão em voga em relação à tecnologia, à inovação e ao empreendedorismo. Os workshops são o momento de colocar a mão na massa, de produzir, seguindo as orientações do palestrante ou instrutor. Temos uma dinâmica de grupo, os participantes conversando sobre o tema, trocando experiências. Os workshops enriquecem a experiência geral do congresso”, destacou Rogério.


Patrícia Azevedo/Dom Total

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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