Brasil Cidades

16/09/2019 | domtotal.com

Sim, habemus papam

Vejo multidões a saudar sua passagem, agitando lenços brancos, em lugares assolados pela miséria ou pelos horrores da guerra.

Vejo-o a caminhar entre as pessoas como se fosse apenas uma delas.
Vejo-o a caminhar entre as pessoas como se fosse apenas uma delas. (AFP)

Por Afonso Barroso*

Após os aplausos irrompidos na Praça São Pedro com o aparecimento da fumacinha branca emanada da torre do conclave, o anúncio, tradicionalmente feito em latim, ficou a cargo do cardeal francês Jean-Louis Tauran: “Anuncio vobis gaudium magnum: Habemus papam. Eminentissimum ac reverendissimum dominum Georgium Marium Bergoglio Sanctae Romanae Ecclesiqae cardinalem que sibi nomem impusuit Franciscum”.

E então o cardeal argentino Jorge Bertoglio, agora papa Francisco, apareceu na janela do Palácio do Vaticano, abriu os braços para a imensa plateia na Praça São Pedro, em seguida abaixou a cabeça em sinal de oração, e toda a praça silenciou. “Quero agora dar a bênção, mas antes peço-vos um favor: peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim. Quero a oração do povo, pedindo a bênção para o seu papa. Façamos em silêncio esta oração”.

Era a primeira vez na história que um papa, antes de pronunciar a bênção Urbi et orbi, pedia ao povo que rezasse por ele. Segundos depois ele deu a bênção e despediu-se da multidão com um “boa noite, e bom descanso”.

Começava assim, no dia 13 de março de 2013, um papado nunca antes tão próximo do povo e da vida real. Bertoglio escolheu o nome Francisco para mostrar sua preocupação com os pobres e com a natureza, tal como Francisco de Assis, o santo amigo das gentes e dos bichos. Era também um papa buscado no “fim do mundo”, como ele mesmo disse. O primeiro latino-americano da história pontifícia da Igreja.

A partir daquele primeiro gesto de humildade no pronunciamento inaugural como chefe do mundo católico, minha admiração pelo papa Francisco aumentou a cada dia. E cresceu ainda mais quando assisti, no canal Telecine Cult, a um documentário sobre as atividades dele ao longo do seu pontificado.

Vejo-o a caminhar entre as pessoas como se fosse apenas uma delas.

Vejo multidões a saudar sua passagem, agitando lenços brancos, em lugares assolados pela miséria ou pelos horrores da guerra.

Vejo-o afagar crianças negras e doentes em hospitais improvisados de algum país miserável e violento da África.

Vejo-o condenar o populismo de certos dirigentes mundo a fora: “O povo é soberano, tem seu jeito de pensar, de se expressar e de sentir, de avaliar, mas o populismo nos leva ao nacionalismo. Esse sufixo, 'ismo', nem sempre faz bem”.

Ouço essas palavras e penso no nepotismo, no radicalismo, no egoísmo, no despotismo, no fanatismo, esses ismos nefastos que costumam infestar a alma de detentores do poder.

Entre os papas dos últimos anos, só o polonês Karol Józef Wojtyta, que se denominou João Paulo II, teve jeito de Francisco. Tinham pontos em comum, como o fato de não serem italianos, coisa que por séculos não ocorria na votação do conclave. Com duração de 26 anos, o papado de João Paulo II foi um dos mais longos da história. De cultura vastíssima, falava 10 idiomas e visitou cerca de 120 países, disseminando o catolicismo pelo mundo a fora. Tinha grande popularidade e um carisma quase equivalente ao de Francisco. Foi baleado em plena praça por um fanático turco, mas só morreu anos depois.

A história dos pontífices tem capítulos nada compatíveis com a santidade da Igreja de Cristo e Petrus. Exemplo clássico de despotismo e devassidão é o do papa Alexandre VI, Rodrigo Borgia, pai da Lucrécia, a amante do irmão César. Mas trata-se de um capítulo que não cabe nesta crônica-exaltação.

Voltemos ao hermano Francisco e o sigamos. Ele por certo nos conduzirá ao bom caminho, ao longo do qual existem ismos admissíveis e recomendáveis, como do catolicismo e cristianismo. 

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
Saiba mais!

Comentários


Instituições Conveniadas