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17/09/2019 | domtotal.com

Mulheres iranianas


Lev Chaim
Lev Chaim (AFP)

Por Lev Chaim*

Curioso, para não dizer trágico, o nosso planeta. De um lado, mulheres liberadas, donas das suas vidas, inclusive em relação ao aborto, e de outro mulheres totalmente dominadas, como no Irã, sem direito a praticamente nenhuma liberdade.

Uzay Bulut, jornalista turca e colaboradora do Instituto Gatestone, fala sobre esses paradoxos, em sua defesa pelo direito das mulheres iranianas, que são tratadas, segundo suas palavras, como escravas há 49 anos, desde a tomada do poder pelos radicais islâmicos no Irã, em 1979. Ao usar essas palavras, ela reproduziu os comentários da jornalista iraniana- americana e premiada ativista, Masih Alinejad: “O uso compulsório do véu muçulmano está na lei e precisa ser obedecido, dizem as autoridades do Irã. Então, temos que contestar essas leis ruins e alterá-las".

Fica claro que essa e outras ativistas dos direitos humanos no Irã pedem uma só coisa ao mundo: “Que a comunidade internacional tenha a coragem de deslegitimar a lei religiosa e criticar abertamente sua natureza tirânica. Assim como o mundo livre deslegitimou o comunismo durante a Guerra Fria, deveria fazer o mesmo com a lei religiosa”, nas palavras de Nasrin Mohammadi, autora do livro Ideas and lashes: The prison diary of Akbar Mohammadi (Ideias e chibatadas: O diário de prisão de Akbar Mohammadi), que conta a história da tortura na prisão de seu falecido irmão.

Há bem pouco tempo, três mulheres iranianas foram presas e condenadas no Irã por não estarem usando o véu muçulmano nas ruas. Elas foram condenadas a mais de 10 anos de prisão por desafiarem o código islâmico da lei da vestimenta obrigatória para as mulheres. Elas foram detidas depois de terem publicado na internet um vídeo em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, que as mostra no metrô, sem o famigerado lenço da cabeça, ou seja, com os cabelos ao vento, distribuindo alegremente flores às passageiras do metrô. Em um determinado momento pode se escutar uma delas dizendo que “haveria de chegar um dia em que as mulheres não seriam mais forçadas a lutar” e outra que manifestava a sua esperança de que um dia as mulheres usando lenço na cabeça pudessem andar lado a lado com aquelas que optaram por não usá-lo.

A ativista e premiada jornalista iraniana-americana, Masih Alinejad, autora do recém lançado livro The wind in my hair: My fight for freedom in modern Iran (O vento em meu cabelo: A minha luta por liberdade no Irã moderno), pesquisou sobre o movimento de jovens iranianas contra a tirania. Ela relatou que criou a hashtag #WhiteWednesday, na qual as mulheres podem trocar fotos e vídeos delas próprias, como também trocar ideias sobre o direito das mulheres. Nos últimos cincos anos, o movimento cresceu e já adquiriu mais de 1 milhão de seguidores. 

Auto-exilada em Nova York, Alinejad está pagando um alto preço pela sua luta em favor da liberdade de ação das mulheres iranianas. Segundo sua entrevista dada ao jornal The New York Times, em 2018, ela não visita o Irã desde 2009 por medo de ser presa. Além disso a família dela, que “ainda mora no paupérrimo vilarejo onde ela foi criada na região norte do Irã”, vem sendo ameaçada pelo regime iraniano, tanto é que a irmã dela a contradisse na frente da TV iraniana, em horário nobre. Além disso, a sua mãe, já idosa, foi torturada em um interrogatório de duas horas, conforme ela revelou à Anistia Internacional.

Segundo os canais competentes que mostram a verdadeira realidade das mulheres no Irã, nota-se que elas vêm lutando ininterruptamente por sua liberdade de ação, tal qual ela existe em todos os países livres e sem o regime radical islâmico. Elas querem viver num país que lhes permita optar pela sua própria vestimenta e, caso não seja possível no Irã dos aiatolás, que elas recebam o status  oficial de refugiadas no exterior. Com esse seu artigo, a jornalista Uzay Bulut nos relata a luta das mulheres iranianas pela sua liberdade das leis radicais islâmicas, as quais elas não acreditam serem coisas do mundo atual. E vocês, meus leitores, o que pensam a esse respeito?

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.

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*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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