Saúde

19/09/2019 | domtotal.com

Chegou a vez das carnes vegetais?

Tendência impulsionada por preocupações com saúde e meio ambiente, carne vegetal é feita a partir de um preparado de proteínas como soja e ervilha.

As carnes vegetais se assemelham muito com as dos animais, fato este que chama atenção de um público diferenciado
As carnes vegetais se assemelham muito com as dos animais, fato este que chama atenção de um público diferenciado (Divulgação/Impossible Foods)

Por Patrícia Almada
Repórter Dom Total

Tendência no mercado brasileiro e mundial, o uso das chamadas carnes vegetais, produto criado para substituir os de origem animal, está diversificando o estilo de vida de algumas pessoas, principalmente os vegetarianos e veganos. O crescimento do consumo desses produtos vem de uma população preocupada com a saúde e com os impactos ambientais no mundo e no Brasil, como as recentes queimadas da floresta amazônica nos últimos meses, associada à expansão do agronegócio, muitas vezes responsável pela degradação ao meio ambiente. Com a mudança dos hábitos de consumo de boa parte da população, grandes empresas estão apostando suas fichas nas carnes vegetais.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Vegetarianos (SVB), Ricardo Lauriano, as carnes vegetais vieram para ficar. “E com elas também vêm outras de carona, que já tinham começado e ganharam um novo impulso. Um exemplo são as bebidas que substituem as lácteas, como as vegetais e, até mesmo, o ovo, que começou a ter uma tendência de desenvolvimento de produtos que o substituem. Acredito que o crescimento vai ser cada vez maior”, disse Ricardo ao Dom Total.

A carne vegetal é feita a partir de um preparado de proteínas vegetais, como soja e ervilha. Além disso, usa-se produtos como a beterraba para imitar características da carne animal, garantindo sabor, suculência e texturas semelhantes.

De acordo com pesquisa Ibope realizada em 2018 a pedido da SVB, 30 milhões de brasileiros se declaram vegetarianos, sendo que 7 milhões são veganos, ou seja, não comem, nem utilizam ou vestem nada de origem animal.

Para Ricardo, as carnes vegetais se parecem muito com as dos animais, fato que chama a atenção de um público diferenciado. “Inicialmente, as carnes vegetais apareciam mais no formato de um sanduíche. Mas o gosto não tinha esse interesse de se assemelhar à carne animal. Agora, com as novas carnes vegetais que estão surgindo, elas vêm com propósito um pouco mais agressivo no sentido de se assemelhar mesmo, ficar parecido. Uma pessoa desavisada, por exemplo, vai comer sem perceber. Portanto, os produtos que estão alavancando são estes que se parecem com o gosto de carne. Principalmente por conta da curiosidade. As pessoas acabam se perguntado. Como vou comer algo que não é carne, feito de vegetais, mas que lembra o gosto, sabor e textura? ”, exemplifica.

Doenças crônicas

O consumo excessivo de carnes de origem animal também é uma preocupação. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o brasileiro consome por ano cerca de 90 quilos de carne. O número elevado desse consumo acarreta no desenvolvimento de doenças crônicas importantes, como diabetes tipo 2, cardiopatias, cânceres, AVC, entre outras.

Para Ricardo, os males pelos quais a sociedade passa, ultimamente, podem ter relação com o consumo desenfreado de carnes. “Temos também a questão dos impactos ambientais. Inclusive, a ONU publicou recentemente um novo relatório mostrando que a única forma de salvar o planeta é mudando os hábitos alimentares, reduzindo e, se possível, tirando os produtos de origem animal do nosso impacto. Além disso, temos um impacto violento contra os animais. Anualmente, 70 bilhões de animais terrestres são mortos para o consumo. Se colocarmos os animais marinhos, chegamos ao número absurdo de quase 1 trilhão de animais. Esses animais são mortos por um hábito, um modelo de consumo que pode ser mudado”, acrescenta.

Mercado

Os maiores fabricantes de carnes vegetais no mundo são as empresas americanas Beyond Meat e Impossible Foods, que ganharam milhões de dólares ao apostarem nesses alimentos. Nos Estados Unidos, de acordo com a AFP, economistas estimam que o mercado de alternativas à carne deve valer U$ 100 bilhões em 2035.

No Brasil, apesar de não apresentar cifras claras de rendimento, gigantes como a Seara, pertencente ao grupo JBS, já estão entrando no mercado de carnes vegetais. Além disso, o grupo BRF, que engloba Sadia e Perdigão, pensa em retomar esse tipo de negócio, já feito anteriormente, mas sem sucesso. O grupo SuperBom, ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia, que produz esses tipos de "carne" para atender fieis de sua religião, também se faz presente.

Empresas de fast-food também já fizeram suas apostas no mercado de carnes vegetais, como as brasileiras Giraffas, que fechou contrato com a SuperBom, e o Bobs. Além disso, nas gigantes como Burguer King e Mc Donald’s já é possível encontrar hambúrgueres vegetarianos e veganos.

Em supermercados, as opções de carne vegetal atualmente são variadas. Vão desde embutidos, como salsicha e linguiça, a bife feito de proteína de ervilha (que pretende passar por carne de frango).

“Acho que, apesar de ser uma tendência, a gente percebe que ainda é muito novo. Então, os estabelecimentos ainda estão se adaptando. Até mesmo a forma de apresentar ao público ainda está em fase, digamos assim, de ajustamento. Portanto, é mais uma questão. É um movimento que existe há algum tempo, mas ele não aparecia tanto como hoje e nem se tinha tanto interesse como hoje. Logo, são adaptações necessárias para que esses produtos cheguem de forma acessível e fácil ao público”, explica Ricardo Lauriano.

Sobre as grandes empresas que investem no mercado vegetariano, mesmo comercializando carnes, Ricardo vê como uma forma positiva. “É natural que as grandes empresas entrem nesse mercado. Existem no próprio movimento vegetariano e, principalmente, no vegano, uma divisão. Há grupos que acham que as empresas estão se aproveitando de uma tendência e os interesses seriam apenas financeiros. Enquanto que outro grupo, talvez mais volumoso, acredite que isso faz parte do processo. O movimento pretende trazer mudanças na hora das pessoas fazerem suas escolhas, seja alimentar, ou de vestuário, entre outros. Quando a gente pensa em mudança, tem que se pensar de uma forma geral. Sendo assim, não tem como excluir essas grandes empresas”, conta.

“Cabe a todos do movimento tentar trazer, acelerar e estimular que esse processo seja feito da melhor forma possível, com a maior segurança possível e que isso possa, ao longo do tempo, se traduzir em um novo conceito de mercado e produção em que realmente não se use animais para alimentação ou qualquer tipo de consumo humano”, finaliza.


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