Esporte Futebol Mineiro

19/09/2019 | domtotal.com

O clube das estrelas cadentes

Futebol foi criado para dar prazer e alegria, e não para proporcionar tristeza e revolta, como vem acontecendo.

De acordo com notícias não desmentidas, dirigentes do clube recebem salários superiores aos de empresas multinacionais
De acordo com notícias não desmentidas, dirigentes do clube recebem salários superiores aos de empresas multinacionais (Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Por Afonso Barroso*

Venho do tempo em que os jogadores do Cruzeiro Esporte Clube honravam com arte, fé e orgulho a camisa azul-celeste do time. Nos dias sombrios de hoje a arte derreteu, a fé se apagou e orgulho é poeira.

Futebol foi criado para dar prazer e alegria, e não para proporcionar tristeza e revolta, como vem acontecendo. O Cruzeiro de hoje leva para dentro do campo o descalabro que se pratica do lado fora do gramado, ou seja, nos gabinetes da direção. Reflexo de uma gestão equivocada, para usar um termo de fingida gentileza. Cada eventual pronunciamento do senhor presidente é como a bola que chega aos pés da maioria dos jogadores. Assim como o tal cartola não sabe o que fazer com as palavras e fala sem dizer coisa alguma, os falsos craques também não sabem o que fazer com aquele objeto redondo com o qual são pagos para conviver e dialogar.

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De acordo com notícias não desmentidas, dirigentes do clube recebem salários superiores aos de empresas multinacionais e, pior ainda, ganham bichos gordos a cada mixuruca vitória, como se fossem eles os autores dos raríssimos passes certos, que chamam de assistências, e dos gols que o time vez ou outra consegue marcar a duras penas.

Atolado em dívidas e num descaminho administrativo sem precedentes, o clube ronda os limites da falência. Sob o comando de dirigentes que não dirigem e conselheiros que não aconselham, migrou do noticiário esportivo para as páginas de polícia. Enquanto isso, os jogadores têm os salários atrasados, embora não sejam servidores do estado. Sabe-se que o atraso no cumprimento dessa obrigação elementar leva fatalmente ao atraso no desempenho do futebol.

Houve tempos em que as estrelas do clube eram mais do que as cinco do Cruzeiro do Sul. Tínhamos sempre uma constelação de craques capazes de oferecer à torcida o brilho de um futebol bonito e eficiente. Dava gosto de ver o que agora passou a dar calo na vista.

Cito um dos jogadores atuais, mas já de saudosa memória: o atacante Fred, que antes sabia correr com a bola e hoje corre dela, como se fosse uma inimiga mortal. Mereceria fazer tabelinha com o Barney no campinho dos Flintstones. Há vários outros que jogam um futebol do tipo faz-de-conta.

Um dos cinco únicos clubes que nunca sentiram o sabor amargo da segunda divisão, o Cruzeiro está hoje batendo às portas do inferno. Ocupa uma das vagas da zona de rebaixamento com um futebol pobre, inoperante, um dos piores entre os candidatos a descer a ladeira.

O que fazer, eis a questão patética. Para vergonha suprema da torcida, chego à conclusão trágica de que o destino parece ser mesmo uma cadeira no andar de baixo. Roguemos aos Céus que não seja cativa.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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