Brasil Política

19/09/2019 | domtotal.com

PF atribui 'esquema criminoso' a Fernando Bezerra, líder do governo no Senado

Fernando Bezerra Coelho garantiu que, qualquer que seja a decisão do governo, continuará trabalhando pelas pautas que defende, como as reformas da Previdência e tributária.

Fernando Bezerra Coelho está na mira da PF no âmbito de investigação sobre suspeita de desvios de recursos públicos.
Fernando Bezerra Coelho está na mira da PF no âmbito de investigação sobre suspeita de desvios de recursos públicos. (Jane de Araújo/Agência Senado)

Atualizada às 14h14

A Polícia Federal (PF) atribui "esquema criminoso" ao senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do Governo no Senado, alvo nesta quinta-feira (19), de buscas em seu gabinete e em sua residência no âmbito da Operação Desintegração. Em entrevista na entrada do prédio onde mora, em Brasília, o senador informou que colocou o cargo de líder do governo à disposição.

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Segundo a PF, a investigação busca desarticular um "esquema de pagamentos de vantagens indevidas por empreiteiras à autoridades públicas". Bezerra e seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM/PE), também alvo de buscas, são investigados por suposta ligação com irregularidades e propinas em obras públicas, entre elas a da transposição do São Francisco.

A PF aponta que empreiteiras investigadas assumiam "dívidas pessoais de autoridades, principalmente relativas às campanhas eleitorais". Segundo a Federal, a investigação teve início em 2017, com base nas delações de investigados da Operação Turbulência.

A "Turbulência" foi deflagrada em junho de 2016 contra um grupo especializado em lavagem de dinheiro, em Pernambuco e Goiás, que teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010.

Na época, a investigação foi iniciada com base na análise de movimentações financeiras suspeitas detectadas nas contas de algumas empresas envolvidas na aquisição da aeronave Cessna Citation PR-AFA.

Esse avião transportava o ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos pelo PSB, em seu acidente fatal, ocorrido em agosto de 2014.

A PF suspeitava que parte dos recursos que transitaram nas contas de fachada do grupo servia para pagamento de propina a políticos e formação de "caixa dois" de empreiteiras.

Os empresários João Lyra, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira fecharam acordo de colaboração com o Ministério Público Federal em 2017. Lyra era apontado pela Polícia Federal como líder do esquema investigado pela "Turbulência" e como responsável por entregar propina de empreiteiras a Campos.

A Polícia Federal indicou que os colaboradores investigados pela "Turbulência" confirmaram o pagamento de "vantagens indevidas" a autoridades públicas, entre 2012 e 2014. As operações foram realizadas por empreiteiras que estavam executando obras custeadas com recursos públicos, indica a PF.

Em denúncia contra alvos da Operação Turbulência, Bezerra é citado como "cliente" de um esquema de lavagem de dinheiro desviado dos cofres públicos. O grupo investigado teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010 e seria supostamente liderado pelo empresário João Carlos Lyra.

Entre os valores que foram lavados pela organização estariam recursos públicos federais desviados dos lotes 9 e 11 do eixo leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco, indica a peça da Procuradoria Geral da República em Pernambuco apresentada em agosto de 2016.

O político não foi denunciado pela Turbulência. Como detentor de foro privilegiado, é investigado perante a Procuradoria-Geral da República no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Ao todo, o senador é alvo de cinco inquéritos, dois deles por supostos crimes contra a lei de licitações quando era prefeito de Petrolina, dois do período em que era secretário estadual e um da época em que foi ministro.

Defesa


O advogado André Callegari, que defende Fernando Bezerra e Fernando Coelho Filho divulgou nota sobre a operação desta quinta-feira (19). 

"Causa estranheza à defesa que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal. A defesa ainda não teve acesso ao pedido e à decisão do ministro que autorizou as medidas, mas pode afirmar que as medidas são desnecessárias e extemporâneas".


Agência Estado/Dom Total

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