Religião

20/09/2019 | domtotal.com

Sínodo: o que você ainda precisa saber?

A poucos dias do Sínodo para a Amazônia, hora de colocar alguns 'pingos nos is' sobre algumas interpretações acerca da assembleia.

Mirticeli Dias de Medeiros
Mirticeli Dias de Medeiros (Reuters)

Por Mirticeli Dias de Medeiros*

É surreal a quantidade de interpretações mirabolantes em relação ao próximo Sínodo Pan-Amazônico, que começa no dia 6 de outubro, no Vaticano. De repente, uma enxurrada de críticas feitas por escritores, youtubers e blogueiros católicos sem nenhum conhecimento de causa invade as redes sociais. Eu chamaria o fenômeno de “massificação da ignorância católica”.

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E posso dizer, sem medo de errar, que 98% dos críticos são completamente leigos em relação à matéria. A começar daqueles que servem de “fontes” para esses grupos, os quais se sentem orgulhosos de espalhar o vírus da mentalidade apocalíptica. Pouco rigor teórico e muita imbecilidade. Algo que, mesmo com os desvios de percurso ao longo da história, nunca foi compatível com o catolicismo.

Há alguns meses, publiquei um artigo sobre um dos arautos desse devaneio coletivo: um cardeal que não sabe nem mesmo onde fica a a Amazônia, mas se sente uma autoridade no assunto. E é preocupante porque, ultimamente, há um movimento que canoniza a desonestidade intelectual. O importante não é mais averiguar com cuidado todas as nuances de uma situação complexa, mas respaldar a ideologia que mais agrada o próprio gueto. Chegamos a esse ponto.

Os verdadeiros movimentos reformadores geraram frutos abundantes ao longo dos mais de 2 mil anos de história do catolicismo, não cismas. E pensar que hoje existem católicos que travestem um cisma de “amor filial à Igreja e à sua tradição”.

Algo que jamais se diria no século 16, aos poucos tem se tornado uma prática comum: há protestantes mais alinhados com o papa que muitos católicos da atualidade. E em meio à essa crise de valores, há ateus “mais cristãos” que esses cristãos materialistas que evocam o retorno dos regimes teocráticos.

Preparação para o sínodo

Já parou para pensar o quanto a Igreja demora para produzir um documento? E não pense que foi diferente em relação ao Instrumentum laboris, a pauta de reunião do próximo sínodo. Após a convocação da assembleia, ocorrida em 2017, foi feita uma vasta consulta para saber o parecer dos bispos sobre a atuação da Igreja na Amazônia.

O Instrumentum laboris é, antes de mais nada, uma espécie de lista com os pontos que serão discutidos durante um sínodo. Não se trata do parecer definitivo dos participantes da reunião. Além disso, as propostas são colocadas em discussão durante os 15 ou 20 dias de assembleia. Após uma série de debates, cabe ao papa averiguar se as sugestões são relevantes o suficiente para atender à proposta pastoral daquele evento em particular.

Os sínodos ordinário e extraordinário para a família, realizados em 2014 e 2015, também receberam uma ampla atenção midiática. Como acontece agora, fizeram um alarde enorme em torno do documento preparatório, o intrumentum laboris. Resultado: grande parte da exortação apostólica Amoris laetitia - o documento final da assembleia - foi escrita com base nos debates realizados nos círculos menores dos sínodo – grupos de participantes divididos por idioma. O grupo de língua inglesa, por exemplo, insistiu muito na formação pré-matrimonial, tema que recebeu uma grande atenção no texto definitivo. Já o grupo de língua espanhola concentrou-se mais na questão pastoral, dando ênfase ao acompanhamento dos casais de segunda união. E assim por diante.

Viri probati? Nenhuma novidade

O assunto espinhoso mais comentado pelos sedevacantistas de plantão é a questão dos viri probati, erroneamente interpretada como a proposta de extinção do celibato na Igreja Latina. Desde o Concílio Vaticano II, na década de 60, os bispos têm se preocupado com a falta de sacerdotes em determinadas regiões do planeta. Como Paulo VI resolveu retirar o tema do celibato sacerdotal da mesa de debates do concílio, a proposta “não vingou”. Em 2005, durante o Sínodo sobre a Eucaristia, o tema voltou a ser discutido. Ao final da assembleia, após quase três semanas de reflexão, a questão dos viri probati não foi considerada uma medida eficaz para suprir a ausência de padres em alguns territórios.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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