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20/09/2019 | domtotal.com

Sozinho a gente não vale nada


Obra do artista Traplev
Obra do artista Traplev (Foto: Eleonora Santa Rosa)

Por Eleonora Santa Rosa*

Uma bela surpresa a abertura da ArtRio nessa última quarta. Menos interessada no aspecto econômico ou mesmo do badalo social, com direito ao desfile de gente linda, interessante, exuberante, exótica, escalafobética, curiosa, pedante, distante, afetiva, efusiva, atacada ou irrelevante, e muito entusiasmada com a energia, o astral e a composição do segundo pavilhão da feira, onde estão reunidos os stands de museus – MAR, Pinacoteca, MAM-RJ, para citar alguns, de instituições como Parque Lage, de escritórios de arquitetura como o RUA, de iniciativas culturais de porte como o Solar dos Abacaxis, que merecerá em breve artigo específico, dentre outras, foi reconfortante e animador vivenciar a atmosfera de resistência, insistência, inventividade, afetividade, criatividade, bom humor, leveza e inteligência.

No meio do baixo astral que assola o país, sobretudo o Rio, maravilhoso e revigorante passar pelos espaços de cada representação cultural e constatar a união ora silenciosa ora mais rumorosa de todos que estão tocando o barco, nadando contra a maré, sobrevivendo à margem da margem, com pouco ou quase nada, na cara e na coragem, com base no espírito público (muitos) e de novas visadas privadas (outros tantos), pelo menos no que toca a esse módulo espacial da feira.

Muito bom também reencontrar e observar artistas, produtores, criadores que há muito não via e outros de convívio recente, todos, de uma forma ou de outra, embalados pelo clima de alegria e de solidariedade no campo comum da lida com a arte, com a cultura.

Não desmereço e nem desconheço o aspecto mercantil, negocial, heterodoxo, de alto coturno e expressão financeira da ArtRio. No entanto, diferentemente do ano passado, creio que algo mais sutil e de cooperação entre os participantes (expositores) e o público prevaleceu na abertura.

Rogo para que não esteja equivocada e espero que o evento seja sinal de união e reação contra a barbárie que se intensifica cotidianamente. Que as entidades, organizações e responsáveis por projetos coletivos de extremo significado e exemplaridade apresentados no segundo pavilhão possam ter vida longa e presença motivadora no cenário cultural local e nacional.

Enfim, creio que tudo poderia ser resumido pelo trabalho fixado em posição estratégica no belíssimo e comovente stand do Solar dos Abacaxis, de Traplev, que dá título ao artigo de hoje, e que bem expressa o espírito vigente, "sozinho a gente não vale nada".

*Jornalista, diretora do Museu de Arte do Rio – MAR

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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