Religião

23/09/2019 | domtotal.com

Setembro amarelo, anúncio da primavera!

A ideia de que ninguém deva soltar a mão de ninguém é libertadora, humanizante. E, nesse momento, é uma ideia imperativa!

É preciso que cuidemos uns dos outros. É preciso que reaprendamos a ter esperança, para sermos também nós arautos da esperança.
É preciso que cuidemos uns dos outros. É preciso que reaprendamos a ter esperança, para sermos também nós arautos da esperança. (Pixabay)

Por Felipe Magalhães Francisco*

Todos já ouvimos – ou até mesmo já repetimos – a expressão de que "enquanto houver esperança, haverá vida". A esperança é um motor necessário, pois está intimamente atrelada aos sentidos que atribuímos à vida. Estão demonizando a palavra utopia, como se ela se tratasse de ilusão. Enquanto isso, vamos nos iludindo por outras frentes, todas movidas pelo capitalismo com suas garras simbólicas. Deixamos de esperar. Basta que reflitamos o olhar sem brilho de nossos familiares, amigos, conhecidos; basta que façamos o teste de olhar para as pessoas nas ruas. Estamos a passar pela vida...

Em nosso país, chegamos a uma situação limite, de fronteira. O monstruoso chegou ao poder. Para além daqueles que comungam intimamente das inspirações grotescas e desumanas do atual maior mandatário de nosso país, e de sua claque, parece que grande parte dos eleitores que deram seus votos a esse (des)projeto, estavam mesmo era dando uma cartada final de tudo-ou-nada, frente às grandes desilusões com a situação com a qual temos enfrentado nos últimos anos. Esse foi um tudo-ou-nada arriscado: as consequências são gravíssimas e teremos muita dificuldade em recuperar todos os passos, a nível humano e social, que havíamos dado.

Mas esse não é o fim! Esse tudo-ou-nada, por mais arriscado e inconsequente, trouxe-nos a uma situação que não será perene. Vai passar e, quando esse dia chegar, que aprendamos a fazer memória, para que não retomemos esse caminho perverso para com nossa sociedade, principalmente para com os empobrecidos que a compõem. Lamentamo-nos por tudo o que nos passa, mas esse lamento não deve nos paralisar. É tempo de nos cuidarmos: uns cuidando dos outros. A ideia de que ninguém deva soltar a mão de ninguém é libertadora, humanizante. E, nesse momento, é uma ideia imperativa!

Não devemos nos esquecer que os tempos em que vivemos são difíceis, globalmente. O ocidente passa por uma crise de sentido. Estamos no olho do furacão de uma série de mudanças rápidas, que não nos dá tempo para elaborar. Estamos adoecendo: todos conhecemos alguém que tem enfrentado uma depressão, ou um transtorno de ansiedade, ou uma síndrome do pânico... todos recebemos notícias, cada vez mais frequentes, de pessoas que tentam dar um basta ao sofrimento, atentando contra a própria vida... É preciso que cuidemos uns dos outros. É preciso que reaprendamos a ter esperança, para sermos também nós arautos da esperança.

Diante do sofrimento que não está em nossas mãos o poder de romper com ele, há dois caminhos possíveis: ou nos resignamos, distópicos; ou perguntamo-nos o que a vida espera de nós! A perda de sentido está, justamente, no fato de já não esperarmos nada da vida. Recobrar o sentido é possível: atentemo-nos, o que é que a vida espera de nós? Por que vale a pena viver, continuar a viver? Deixemo-nos esperar contra toda a esperança; viver de esperança em esperança. Tal como estouram, por todo o nosso país, os Ipês, busquemos que estoure, dentro de nós, a esperança, a capacidade de sonhar, a atitude de esperar. É setembro amarelo, o mês em que refletimos com mais intensidade a respeito da prevenção ao suicídio. Que os Ipês nos inspirem a florir, quando tudo for secura, recordando-nos de que a primavera vem aí!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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