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27/09/2019 | domtotal.com

Espetáculo deprimente

Precisamos de união, de consciência, de coragem, de independência, de resistência.

Dias difíceis vivemos, todos, mas, sobretudo, nós mulheres.
Dias difíceis vivemos, todos, mas, sobretudo, nós mulheres. (Pixabay)

Por Eleonora Santa Rosa*

Inacreditável o vídeo que circula nas redes sociais com a preleção misógina  do representante máximo da Universal perante um auditório lotado de fiéis, dentre estes muitas jovens e senhoras de idades variadas, a respeito do papel da mulher nos lares e na sociedade. Chocada coma desfaçatez com que tal ‘pastor’ prega a discriminação das mulheres, usando como exemplo a criação dada às suas filhas, que em certo período residiram com ele nos Estados Unidos, e o orgulho que tinha como pai pelo fato de ter determinado, com o apoio da esposa, que nenhuma das duas faria nada além do ensino médio, pois, segundo ele, Jesus não gostaria de mulheres educadas, cultas e mais preparadas do que seus futuros pretendentes. Estarrecedor ouvi-lo dizer que as mulheres que estudam em universidades e conexos são pecadoras e desagregadoras, destruidoras da harmonia doméstica, uma vez que, por desejo do Altíssimo, nasceram como mulheres para servirem ao Criador, aos homens, aos seus maridos, estes, sim, os legítimos chefes de família.

Um espetáculo grotesco, verdadeiro circo de horrores,  com direito à humilhação às mulheres, ao desprezo e oratória dedicada a menos valia feminina, em que sua própria cônjuge, mãe de suas filhas, atrás dele no palco, de cabeça baixa, resignada, submissa, assiste ao show de fanatismo e de preconceito, de clara incitação à perseguição e/ou exclusão de mulheres que não se enquadrem nesse figurino.

Triste por demais ao constatar, nas imagens do vídeo viralizado Internet, a presença de um expressivo contingente feminino na assembléia de misoginia. Horror e melancolia por ver em muitos dos olhos e gestos de esposas, provavelmente tratadas de modo bruto, excludente e desrespeitoso, subservientes a essa pregação digna das trevas.

Incomodada também por ver suas filhas, no palco, servidas como exemplo de aceitação e concordância com o discurso infame do pai-pastor.

Dias difíceis vivemos, todos, mas, sobretudo, nós mulheres. Precisamos de união, de consciência, de coragem, de independência, de resistência, de recusa a essa insanidade discriminatória, intolerável, de gente dessa estirpe, que, ademais, explora a boa fé, mercantiliza tudo e legitima a baixa estima, a discriminação e o preconceito.

Chega!

*jornalista

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