Brasil

30/09/2019 | domtotal.com

Huck e o nariz fora do lugar

Da nariguda estampa a dicção intragável, modos, gestos, costumes, péssimas companhias aecistas, ele representa para mim o que há de pior na 'civilização (???) paulista-paulistana'.

Luciano Huck, um dos precoces candidatos, uma espécie de porta-estandarte do coxismo nacional.
Luciano Huck, um dos precoces candidatos, uma espécie de porta-estandarte do coxismo nacional. (Leonardo Benassatto/Reuters)

Por Ricardo Soares*

Vou acabar virando místico de vez, pois começo a ver que nosso karma brasileiro é pesadíssimo. Depois de milhões de brasileiros terem levado à Presidência uma aberração fascista, vemos as pedras do tabuleiro se movimentarem precocemente em direções terríveis para a eleição de 2022.  Antes que me censurem, assumo de cara meu preconceito explícito contra Luciano Huck, um dos precoces candidatos, uma espécie de porta-estandarte do "coxismo" nacional. Da nariguda estampa a dicção intragável, modos, gestos, costumes, péssimas companhias aecistas, ele representa para mim o que há de pior na "civilização (???) paulista-paulistana". 

Aquele empreendedorismo coxinha de bom-moço que burla leis, inclusive ambientais, o assistencialismo tosco, o baba-ovismo a Rede Globo de Televisão e tudo mais me fazem deplorar os usos e costumes desse sujeito que agora
 já não esconde sua pretensão de disputar as próximas eleições presidenciais. Para isso, começa a usar a própria Rede Globo para fazer campanha antecipada. Não há de ser sem aprovação superior.

Nesse sábado (28), durante apresentação do seu programa, Caldeirão do Huck, ele exibiu uma “reportagem”, na qual mostra, ao lado daquela coisa esquisita e sem graça, o youtuber Whindersson Nunes, o Rally dos Sertões, no Piauí, e as dificuldades do povo do interior do Nordeste. Huck e esse pseudo-humorista e youtuber contam com milhões de seguidores em suas redes sociais. Enquanto a maioria silenciosa que não votou em Bolsonaro segue passiva, o outro lado lança seus genéricos, seja Huck, Doria ou esse desqualificado 'Auschwitzel' do Rio de Janeiro. Carece nos mexermos para que depois do Bozo tenhamos algo melhor ou então o futuro pode continuar a pertencer a excrescências. Ainda prefiro acreditar que podemos ficar livre do karma ruim que nos acomete, mas carece que ponhamos mãos à obra.

Huck quer se passar por humilde, propaga um ufanismo rastaquera, uma fraternidade de conveniências e uma chuva de pieguices para mostrar o quanto é "bonzinho" para com o povo sofrido. Mais um oportunista no país do rei deles, o inefável "Cangaciro" Gomes. 

Huck apaga das suas redes sociais as amizades que não convêm e reforça as que navegam em popularidade. Esse sujeito espetaculariza a miséria na televisão e tenta reforçar o engano de que somos um povo cordial. Insulta a nossa inteligência com seu cinismo e imagina ter remédio para os nossos males. Seria muito melhor para todos nós que ele não metesse o narigão onde não é chamado.

*Ricardo Soares é diretor de TV, roteirista, escritor e jornalista. Publicou oito livros, dirigiu 12 documentários.

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