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02/10/2019 | domtotal.com

Baixo Centro de Belo Horizonte: caminhos para a aprendizagem significativa

Quanta história abriga aquele espaço.

Parque Municipal em 1920
Parque Municipal em 1920 (Divulgação)

Por Rachel Castro de Almeida*

Motivados pela disciplina Sociologia Urbana, os alunos de Engenharia Civil da Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE) fazem, ao longo do semestre, um percurso virtual por várias cidades brasileiras e do mundo. Iniciamos lá no começo do século 20, em Berlim, passamos por Chicago, no período entre guerras, chegando à São Paulo na década 1970, e finalmente percorrendo Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e Recife, nas três últimas décadas.

Os temas abordados são bem diversos, desde o individualismo crescente em contextos metropolitanos até questões como crescimento populacional, expansão urbana, desigualdades sócio-espaciais, periferias, direto à moradia, processos de "gentrificação" (ou enobrecimento de áreas urbanas), mobilidade, a cidade e os idosos, a cidade e as crianças, os usos dos espaços públicos, a violência urbana, os enclaves fortificados, dentre outros.

Esse percurso é mediado por referências teóricas e resultados de pesquisa empíricas produzidos por clássicos europeus, como o alemão Georg Simmel, ícones da Escola de Chicago (EUA), como Howard Becker e Robert E. Park, até os contemporâneos brasileiros como Heitor Frúgoli Jr. e as pesquisas realizadas pelas redes do Observatório das Metrópoles e do Centro de Estudos da Metrópole.

Ao final do semestre, fizemos efetivamente um percurso na área central de Belo Horizonte, para vivenciamos nossa metrópole já com a bagagem acumulada ao longo dos últimos meses. É perceptível a mudança do olhar. Gabriel Max Soares e Souza, por exemplo, nos conta que:

"Rejuvenescedor é passar pelo caminho de todo dia e enxergar as mesmas construções, que poderiam nos ter como engenheiros responsáveis, ressignificadas e, agora, com sua história própria e particular. Cada esquina da cidade vira um marco, com algo a contar - do seu jeito duro, de linhas retas e tortas; concreto e de fachadas fechadas. ”

Já Letícia de Moraes Gomes e Rafael Mattioli Dias comentam que:

“Durante nossa caminhada pelo centro de Belo Horizonte, nas imediações da Praça Sete, percebemos pontos que cotidianamente seriam imperceptíveis. Com o olhar voltado para um lado histórico e arquitetônico, vê-se a importância da engenharia e a transformação cultural ao longo dos anos. ”

As belas fotografias da cidade de Belo Horizonte, na exposição de fotos de Wilson Baptista, BH em preto e branco, mostram a evolução de BH no século 20. No edifício da Câmara Sete Casa da Fotografia de Minas Gerais, os alunos não sabiam se admiravam as fotos ou a própria arquitetura. Quanta história abriga aquele espaço.

Encerramos com um piquenique no Parque Municipal, hora de ativar as lembranças e memórias da infância! De comparar as fotos de Wilson Baptista com o cotidiano atual e perceber que o espaço é um suporte para a produção de relações sociais significativas. Tais relações sociais são sempre contextualizadas nos tempos da história coletiva e das histórias de vida, bem como nos espaços geográficos e culturais, de fronteiras cada vez mais fluídas.

* Professora da Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE)

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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