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03/10/2019 | domtotal.com

Aula para jogadores do Cruzeiro

É com esta 'ball' que se pratica o jogo. Devo informar que ela é muito exigente. Não gosta de ser maltratada, como muitos de vocês têm feito sem dó nem piedade.

Passar a bola para um companheiro é coisa que deve ser feita com rapidez e precisão.
Passar a bola para um companheiro é coisa que deve ser feita com rapidez e precisão. (Bruno Haddad/Cruzeiro)

Por Afonso Barroso*

E foi assim que o professor de futebol Caim Ludopédio, contratado pelo Cruzeiro para tirar o clube da lista de passageiros embarcados no trem da segunda divisão, reuniu os jogadores para uma aula de ensino fundamental. Acompanhemos.

“Bom dia, meus amigos”, disse ele – era de manhã. “Antes de mais nada, quero apresentar-lhes este objeto esférico, perfeitamente redondo como podem ver, ao qual chamamos de bola. Destinada especificamente ao jogo de futebol, é feita de couro sintético. Antigamente era de couro cru, mas isso acabava sendo um tormento para os jogadores. Quando chovia, ela absorvia a água e ficava pesada demais, o que costumava causar danos sérios ao cérebro de quem se atrevesse a cabecear. Não vou entrar em detalhes sobre a produção desse objeto essencial à prática do chamado esporte bretão. Digo apenas, antes de passarmos a outros temas, que foi desenvolvida pelo Sports Technology Research Group da Wolfson School of Mechanical and Manufacturing Engineering na Universidade de Loughborough.

Todos sabemos, e acho que até vocês mesmos sabem, que o futebol nasceu football, já que foi inventado na Inglaterra.

Pois bem. É com esta ball que se pratica o jogo. Devo informar que ela é muito exigente. Não gosta de ser maltratada, como muitos de vocês têm feito sem dó nem piedade. Não há dúvida de que essa é a causa principal da queda iminente para o andar de baixo do futebol brasileiro.

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Como tratá-la com respeito e carinho, eis a questão.

Primeiro, vocês precisam aprender a chutar. Sim, a bola não se importa de ser chutada, até porque foi feita para isso mesmo. Mas só gosta quando sente carinho no chute, que é o primeiro dos fundamentos do futebol. O chute pode ser de bico, de chapa, de três dedos ou de peito de pé. O de bico não é muito usado, porque nem sempre permite que a bola obedeça à trajetória que o jogador pretende dar. De chapa é o método mais comum, porque com ele você dá o endereço certo à bola. O peito de pé é o que possibilita o chute mais forte. O que a gente chama de três dedos é mais sofisticado. Só com muito treino você conseguirá executá-lo, até porque nós temos cinco dedos no pé, e não três. Vamos tratar disso quando passarmos às aulas práticas em campo. Os que tiverem vocação para esse esporte aprenderão a chutar nas quatro variedades.

Outro fundamento essencial é o passe. Passar a bola para um companheiro é coisa que deve ser feita com rapidez e precisão. Um erro de passe pode ser fatal. Costuma causar derrotas dramáticas. Jogador que não sabe dar passes certos não pode jogar futebol. Que procure outra profissão.

Temos também o drible, que é o fundamento mais difícil. Consiste em você enganar o adversário quando ele o encara. Pode ser o drible em progressão, isto é, quando você está correndo com a bola e o adversário tenta interceptá-lo, mas você rapidamente muda a trajetória e passa por ele na corrida. Esse tipo de drible costuma resultar em gol ou em perigo iminente de gol. Precisa de muito treino para aprender.

Há o drible de corpo. É quando você engana o adversário fingindo que irá para um lado, mas vai para o outro. Alguns jogadores fazem isso com grande perfeição. Jogadores de outros clubes, claro. Vocês precisarão se empenhar para aprender.

Temos o drible caneta. É quando você, habilidosamente, passa a bola entre as pernas (ou canetas) do adversário e o contorna para pegar a bola atrás dele. É uma das jogadas mais aplaudidas. Vocês irão aprender isso também.

Há ainda o chapéu, que muitos chamam de lençol. É quando você consegue passar pelo adversário lançando a bola por cima dele, deixando-o completamente desnorteado. Em tempos antigos, tivemos aqui mesmo, no Cruzeiro, jogadores que faziam isso com extrema habilidade. Já ouviram falar no Dirceu Lopes?

Há ainda o chamado drible da vaca, que não se sabe por que ganhou esse nome. Consiste em jogar a bola de um lado e contornar o adversário para pegá-la em seguida na frente.

Nos treinamentos vocês aprenderão também a matar a bola, o que pode ser feito no pé, no peito ou no joelho. Na canela, nunca, pelo amor de Deus. Matar é fazer com que ela obedeça ao seu comando quando chega pelo alto. Aí ela morrerá docemente aos seus pés.

Mas essas coisas todas a gente vai ensinar no campo. O que eu devo dizer hoje, nesta breve aula fundamental, é que vocês só vão jogar futebol quando souberem praticar essas lições. E principalmente, repito, quando souberem tratar a bola com o devido carinho, Se conseguirem isso, certamente poderão fazer com que o Cruzeiro permaneça no lugar de onde jamais saiu.

Não temos tempo a perder, porque a chamada Segundona está logo ali.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

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