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04/10/2019 | domtotal.com

Verdes festivos

Questões ambientais e de sustentabilidade requerem mais tecnologia, mais inteligência, menos emoção e muita calma nessa hora.

Reduzir emissões de carbono é um desafio urgente
Reduzir emissões de carbono é um desafio urgente (Pixabay)

Por Fernando Fabbrini*

De repente, influenciados pela onda da menina sueca, sugiram no mundo novos ambientalistas radicais: os verdes festivos, como batizei; partidários do hábito de politizar tudo e qualquer coisa. É aquela turma que protesta contra o governo mas deixa toneladas de lixo em apenas um dia nos gramados do Rock in Rio, entenderam?

Muitos dos que se alinharam subitamente às causas da natureza e se indignaram com as queimadas na Amazônia em 2019 (76.351 focos, segundo o Inpe) esqueceram-se de que o recorde aconteceu em 2007 (393.915 focos, idem). Alguém se lembra de manifestações, cartazes e postagens por conta do problema naquele ano?  

Parece ser ainda a mesma vertente que não se recorda de outras degradações galopantes, escandalosamente nocivas e de difícil recuperação que assolaram o país: corrupção colossal, roubalheira de fundos públicos, financiamento de ditaduras, inchaço do estado em detrimento da aplicação adequada de dinheiro, desvios indecentes.

Os discursos de Greta são calcados em idealismo e emoção – o que é legítimo – e em propostas vagas – o que é frustrante. E assim provocam aplausos sem espirito crítico; nova moda da garotada que só se informa pelo WhatsApp. Curioso, garimpei em sites dos EUA, Canadá e da Europa em busca de alguma coisa concreta oferecida pelos verdes festivos, além do choroso “vocês roubaram meus sonhos, como se atrevem?”

Para minha decepção, não encontrei nada de caminhos viáveis, realistas, pautados no dia-a-dia e não apenas no mise-en-scène midiático de uma adolescente – tipo viajar num veleiro ou chegar a uma manifestação no carro elétrico do Schwarzenegger.

Reduzir emissões de carbono é um desafio urgente. Há centenas, milhares de pessoas, nos campos, florestas, oceanos, centros de pesquisas do mundo inteiro trabalhando na busca de soluções tecnológicas viáveis – e não de delírios. Não é fácil. Aviões, trens, navios, automóveis, caminhões compõem a matriz atual de transporte de cargas e passageiros, queimando combustíveis fósseis.

Menos fumaça no ar é um avanço fantástico, como sucede no caso dos veículos elétricos. No entanto, se o foco é a emissão de carbono, os volumes emitidos na produção das baterias dos veículos; na extração e no processamento dos minerais que as compõem e nas linhas de montagem do setor automotivo são assustadores. Parece um jogo de varetas: devemos mexer aqui, mas sem derrubar lá; complicado mesmo. E alguém ainda acha que é possível mudar tudo isso só fazendo carinha brava?

Na verdade, as questões ambientais e de sustentabilidade requerem mais tecnologia, mais inteligência, menos emoção e muita calma nessa hora. Falar mal sem cair na real não criará nada de novo, apenas sonhos verdes e fantasias multicoloridas para ocupar as manchetes por um ou dois dias.    

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