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04/10/2019 | domtotal.com

Redes de destruição

Nenhuma dúvida sobre a recorrente manipulação de dados, invasão de privacidade e venda deslavada de informações pessoais por meio do Facebook e do Whatsapp.

Mark Zuckerberg deveria estar em cana, vendo o sol nascer quadrado há tempos.
Mark Zuckerberg deveria estar em cana, vendo o sol nascer quadrado há tempos. (AARON P. BERNSTEIN/REUTERS)

Por Eleonora Santa Rosa*

O artigo de hoje seria dedicado a tema mais suave sob inspiração do mar da Bahia, do ‘meu’ paraíso nessa terra, a Vila de Santo André. No entanto, importante, nesse momento, registrar e compartilhar as impressões advindas do impacto do documentário Privacidade hackeada, que assisti há poucos dias, essencial para se compreender os bastidores e as consequências do mundo das redes sociais e de seus gravíssimos impactos na vida de cada um de nós, em função do poder  concentrado, crescente e abusivo de conglomerados como Amazon, Google e Facebook, sobretudo.

Nenhuma dúvida sobre a recorrente manipulação de dados, invasão de privacidade e venda deslavada, de consequências sem precedentes, de informações pessoais por meio do Facebook e do Whatsapp.

Mark Zuckerberg deveria estar em cana, vendo o sol nascer quadrado há tempos, um ultraje seu depoimento ao Congresso Americano, performance de um medroso ‘geninho’, espertalhão de ambição desmedida, se borrando frente aos membros da comissão de investigação a respeito das relações de seu império com a malfadada e mal cheirosa Cambridge Analytica, responsável por usos indevidos de informações, em princípio, privadas, extraídas das redes sociais, servidas à mesa por essa gente hipócrita, usurária, sem qualquer vestígio de ética, mercenários atrás de grana, de prestígio e de poder.

A face mais nefasta dessa turma manifestou-se na eleição americana de 2016, com a ‘vitória’ de Donald Trump e seu grupo sob a batuta do danoso asqueroso ultradireitista Steve Bannon, estrategista-chefe da campanha presidencial. Outra aparição crucial deu-se com o triunfo do Brexit.

Indústria que movimenta mais de um trilhão de dólares, de magnitude e posicionamento estratégico, opera com guerra de informação em escala abissal, transformando dados extraídos das redes em arma de alta potência de destruição, seja de regimes políticos, de soberanias nacionais, de vidas privadas, de sociedades, do meio ambiente e por aí vai.

Muito bem estruturado, com expressiva e impressionante carga documentação e entrevistas, a principal delas centrada em Brittany Kayser, personagem essencial da trama imoral da Cambridge Analytica, que delatou os métodos de ação e manipulação da companhia na qual atuava como diretora, em relação à usurpação de informações de cinco mil eleitores americanos, que tiveram seus dados pessoais violados e transformados em base de cruzamento de perfis psicológicos para a construção de abordagens direcionadas a extratos da sociedade americana com objetivos eleitorais.

Técnica posteriormente utilizada em outros países, também com fins de influência política, sempre à direita, inclusive no Brasil. Nenhuma ingenuidade sobre a natureza da ligação de Bannon com figuras de proa da campanha do atual presidente e do uso direcionado do Whatsapp, por seu filho predileto, influenciado e guiado por essa ‘escola’, durante as eleições.

Pedagógico, esclarecedor, provocador e instigante, Privacidade hackeada deveria ser visto por todos e propagado maciçamente  pelas redes.

Imperdível!

*Jornalista.

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