Religião

04/10/2019 | domtotal.com

A oração do papa pelo sínodo

No dia da festa de são Francisco de Assis, papa Francisco dedica momento de oração ao próximo sínodo e, com o gesto, exprime suas expectativas para a próxima assembleia.

Em cerimônia nos Jardins Vaticanos, papa abriu
Em cerimônia nos Jardins Vaticanos, papa abriu "simbolicamente" o Sínodo reunindo representantes dos povos originários da Amazônia. (Vatican Media)

Por Mirticeli Medeiros*

Para quem não acredita em coincidências, é bom notar que festa de são Francisco de Assis, celebrada hoje, acontece justamente às vésperas do Sínodo Pan-Amazônico, cuja abertura acontece neste domingo (6), na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Muito além da questão ecológica, o santo de Assis é símbolo do diálogo entre as culturas. Na sua simplicidade, ele conseguiu promover um encontro com o Ocidente e o Oriente que nenhum outro religioso do período sonhava realizar. No seu famoso “Canto das criaturas”, a interpretação de que todos estão profundamente interligados e fazem parte do plano criador de Deus.

Sendo assim, é pertinente que a Igreja, chamada a adentrar também nas periferias físicas e espirituais, não se resume a fazer proselitismo, mas é a “voz que clama no deserto” contra todos os atentados contra a dignidade humana. E os católicos que ignoram essa máxima do catolicismo, estão negando a religião de Cristo. “A Igreja é expert em humanidade”, já dizia Paulo VI.

Na manhã desta sexta-feira (4), nos jardins do Vaticano, papa Francisco fez uma oração, confiando ao santo os intensos da próxima assembleia de bispos, cuja conclusão está marcada para o dia 27 de outubro.

Para quem acompanha o pontificado atual, sabe que o gesto representa não somente uma manifestação devocional, mas o desejo de que as reflexões dos bispos se alinhem à mensagem de Francisco de Assis.

No mês passado, em mensagem para o dia mundial de oração pelo cuidado da criação, o pontífice fez uma oração que resume qual a sua maior preocupação: a de que os cristãos se esqueçam que o descaso com as questões ambientais é um contra-testemunho dos grandes. E, com coragem, fez um apelo à comunidade internacional para que a conscientização ecológica esteja na pauta de prioridades de todos os países.

“Escolhamos a vida! Digamos não à avidez de consumos e aos delírios de onipotência, caminhos de morte; tomemos percursos clarividentes, feitos de renúncias responsáveis hoje para garantir perspectivas de vida amanhã. Não cedamos às lógicas perversas dos lucros fáceis; pensemos no futuro de todos!”, disse Francisco ao se dirigir aos governantes.

As expectativas para o sínodo são as melhores possíveis, ao menos por parte de quem tem se preparado para a próxima assembleia com serenidade. Já era hora do Vaticano lançar um olhar sobre uma das regiões mais esquecidas do mundo. O dia que o cristianismo não se lembrar mais dos descartados pela sociedade, perderá sua razão de existir. E o cuidado com a nossa casa comum é reafirmar que o cristianismo faz comunidade, não guetos; que integra, não marginaliza; que cuida, não explora...

*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre primordialmente o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália, sendo uma das poucas jornalistas brasileiras credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé.

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