Meio Ambiente

07/10/2019 | domtotal.com

Como dizer coisas indizíveis

A Amazônia pode ser o pulmão do mundo, mas respira é no Brasil.

Bolsonaro não deve é recusar ajuda financeira de outro ou outros países para combate ao fogo eventual e ao desmatamento sistemático da grande floresta.
Bolsonaro não deve é recusar ajuda financeira de outro ou outros países para combate ao fogo eventual e ao desmatamento sistemático da grande floresta. (Reprodução)

Por Afonso Barroso*

Há tanta coisa no Brasil merecedora ou carente de uma crônica que o cronista fica meio perdido no emaranhado de assuntos.

Há, por exemplo, a reforma da Previdência, que o governo considera essencial para o país e a oposição acha uma maldade com o trabalhador. Algum dos lados deve ter razão. Como não sei ainda qual é o lado certo, prefiro não dizer nada, por enquanto. Vou estudar o assunto com a profundidade rasa que merece.

Há também, aqui ao nosso redor, a administração do caipira Zema que, coitado, herdou um Estado falido, e não tem como desfalir. Desde o governo anterior que o funcionalismo sofre com o atraso nos pagamentos, com o congelamento dos salários, o fracionamento do 13º e a redução drástica da capacidade de atendimento do Ipsemg. Curiosamente, ou inexplicavelmente, o sindicalismo emudeceu durante o petismo corrupto e só agora resolveu estrebuchar. 

Outro assunto de algum interesse é a atuação de uma empresa de jornalismo virtual chamada The Intercept. Com PT no final do nome, parece que proposital, foi criada para interceptar, como o próprio nome diz. É coisa da modernidade sem freios, da invasão virtual de privacidade, da busca de sensacionalismo, do esfacelamento de reputações. Mas não, não vou falar nisso, que dá um certo asco. Jornalismo investigativo é outra coisa que não essa de revelar confidências à custa da tecnologia criminosa.

Há outros assuntos dos quais gostaria de falar, como o amor macrônico do presidente da França e sua interferência nas questões internas de outro país, no caso o nosso. A Amazônia pode ser o pulmão do mundo, mas respira é no Brasil, e ninguém tem o direito de interferir na missão de cuidar para que não sofra de pneumonia ou bronquite. O Macron que cuide de sua damme, e "damne-se" por lá. Nosso presidente tem razão ao rechaçar essa intromissão. Só não deve é recusar ajuda financeira de outro ou outros países para combate ao fogo eventual e ao desmatamento sistemático da grande floresta. Toda ajuda, quando para o bem, é bem-vinda.

Sabe-se que os incêndios das matas amazônicas são coisas da temporada de seca e também da ação malévola de malfeitores radicais que querem ver o Brasil pegando fogo. Coisas de gente dos infernos, que não se conforma com a interrupção da roubalheira implantada pelos governos anteriores.

Poderia falar também do comportamento do nosso presidente, que precisa entender um pouco mais a razão de ter recebido os milhões de votos que o elegeram. Precisa pensar mais e falar menos, até porque não é muito hábil na formulação e manejo das ideias e palavras. Os eleitores, em sua maioria, também não querem que continue amarrado à direita radical, até porque o radicalismo é pior até do que o socialismo dos esquerdinhas que tanto mal fizeram ao país.

Falar de quê, então? Quem sabe da influência das redes sociais na vida nacional. Me assustou a pesquisa na qual se apurou que 70% dos brasileiros têm hoje acesso à internet. Significa que dois terços podem se conectar às redes e, em consequência, às fake news e às notícias manipuladas com as mais maléficas intenções.

Mesmo com um computador na mesa ou um celular na mão, o povo não deixa de ser povo. E, ainda por cima, povo brasileiro.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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