Religião

05/10/2019 | domtotal.com

Teólogo denuncia ataque premeditado contra o papa e o Sínodo da Amazônia

Às vésperas do sínodo pan-amazônico, padre jesuíta Adelson Araújo dos Santos, um dos especialistas nomeados pelo papa para participar dos trabalhos, comenta as críticas.

Grupos contrários ao atual pontificado difundiram interpretações infundadas a respeito do Sínodo.
Grupos contrários ao atual pontificado difundiram interpretações infundadas a respeito do Sínodo. (ANDREAS SOLARO / AFP))

Por Mirticeli Medeiros
Repórter especial

Cidade do Vaticano - Em 2017, papa Francisco surpreendeu o mundo ao convocar um sínodo dos bispos só para tratar da questão amazônica. Porém, mesmo que a assembleia tenha sido articulada muito antes da eleição presidencial do presidente Jair Bolsonaro (PSL), seus seguidores acabam interpretando-a como um evento que foi convocado para afrontar a soberania do Brasil, país que concentra 60% do território amazônico. Na avaliação de especialistas, muitos grupos, contrários ao atual pontificado, acabaram difundindo interpretações infundadas a respeito das pautas que serão levantadas durante a reunião de bispos.

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“Em alguns países, como o Brasil, governantes entenderam a convocação do sínodo como uma interferência em assuntos internos, sem se darem conta que o papa Francisco simplesmente reafirma o que seus antecessores já disseram antes: desde são Paulo VI, passando por são João Paulo II, até chegar em Bento XVI. Ou seja, a posição da Igreja em defesa da vida na Amazônia, incluindo a vida dos povos indígenas, é uma posição histórica”, recordou padre Adelson Araújo dos Santos, SJ.

O problema é que muitos não acompanharam a preparação de um evento que, antes de tocar em questões ligadas ao território de nove países, representa mais uma tentativa do atual pontificado de conscientizar o mundo a respeito das questões ambientais. Aliás, papa Francisco já é considerado o chefe de estado que mais tem denunciado, veemente, todos os atentados contra o meio ambiente, pedindo ao mundo uma verdadeira “conversão ecológica”.

A Laudato si, a encíclica ecológica do papa, publicada em 2016, texto que contém um apelo forte à comunidade internacional, de modo que o cuidado com o meio ambiente seja compromisso de todos, será o texto-base da próxima assembleia.

Por outro lado, é certo que, em se tratando de um tema pouco contemplado pelos documentos de magistério nos últimos anos, são poucos aqueles que realmente são competentes para emitir qualquer juízo a respeito da relação entre catolicismo e ecologia. O teólogo também afirma que as críticas à assembleia fazem parte de um complô que visa desacreditar o pontificado de Francisco, cujo estilo é marcado pela simplicidade e pelos valores do Evangelho.

“Isso faz parte de uma campanha premeditada por parte de certos grupos conservadores dentro da Igreja, incluindo alguns cardeais, que não aceitam o pontificado de Francisco, que defende uma Igreja mais simples e próxima da figura do seu fundador Jesus Cristo, ao invés de sustentar a imagem de poder, riqueza e privilégios à qual alguns se acostumaram mal”, alerta.

Os temas centrais do sínodo

Na coletiva de imprensa realizada esta semana, na qual foram traçadas as expectativas para o evento, ficou claro que a Igreja Católica pretende, acima de tudo, tratar da evangelização na região sem deixar de denunciar os vários problemas que ameaçam a sobrevivência dos povos nativos e também a exploração desmedida dos recursos naturais.

“A questão da demarcação de terras é fundamental, sobretudo para os povos indígenas. [...] A Igreja não pode oferecer soluções técnicas. O sínodo não entrará em questões técnicas. O sínodo apresentará princípios para orientar essas soluções técnicas [...] Estamos diante de uma crise mundial”, disse o cardeal dom Cláudio Hummes, O.F.M presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) e relator geral do sínodo.

“A mensagem desse sínodo é de um maior compromisso da nossa parte, como sociedade, governos e cidadãos comuns para com a preservação da vida, que se vê ameaçada pela busca desenfreada da exploração e comercialização das riquezas naturais do planeta, sem pensar nas consequências que isso traz para o futuro das novas gerações, cujas consequências já são óbvias: aumento da temperatura, poluição dos rios, violência contra as populações indígenas, aumento da pobreza etc.”, ressaltou padre Adelson.

O tema do próximo sínodo será “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral". Ainda de acordo com o teólogo, a ideia, a partir do tema proposto, é de explorar três campos: a atuação pastoral e evangelizadora na região, a preocupação com a promoção da biodiversidade e a promoção da vida dos povos indígenas.

Roma às vésperas do Sínodo

Roma, aos poucos, entra no clima do sínodo. Em algumas igrejas da capital, se realizam vigílias, simpósios e exposições para mostrar o quanto o cuidado para com o “pulmão do mundo” é responsabilidade de todos.

No domingo, (6), acontece a missa de abertura do Sínodo da Amazônia, presidida por Papa Francisco, no Vaticano. O evento, que termina no dia 27, contará com a participação de 250 participantes, entre os quais três presidentes delegados, dois secretários, 13 presidentes de dicastérios - os “ministérios do Vaticano” -, 118 bispos, 55 auditores, 40 mulheres (o número mais alto já registrado em uma assembleia do tipo) e, pela primeira vez na história, receberá um representante da ONU, o ex-secretário geral da entidade, Ban Ki-Moon.

Campanha


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou uma campanha nas redes sociais e em veículos de comunicação católicos em defesa do papa Francisco e do Sínodo da Amazônia. A intenção é rebater críticas de dentro e de fora da Igreja ao encontro marcado para outubro em Roma. A campanha foi divulgada com duas frases para marcar o conteúdo nas redes sociais: #euapoioosínodo #euapoioopapa #sinodoamazonico.




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