Religião

06/10/2019 | domtotal.com

Papa Francisco alfineta governo brasileiro sobre queimadas na Amazônia

Por e com os irmãos na Amazônia, caminhemos juntos, disse Francisco durante a missa de abertura do sínodo.

Papa Francisco preside missa de abertura do sínodo, especial para a Amazônia, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Papa Francisco preside missa de abertura do sínodo, especial para a Amazônia, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. (Vatican News)

Por Mirticeli Medeiros
Repórter especial

Cidade do Vaticano – O papa Francisco celebrou a missa de abertura do Sínodo da Amazônia neste domingo (6), no Vaticano. Citando a Bíblia, ele condenou as queimadas na Amazônia, denunciou a exploração no território e lamentou a marginalização das comunidades indígenas.

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"Quando sem amor nem respeito se devoram povos e culturas, não é fogo de Deus, mas do mundo. [...] O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho", disse.

Continuando o discurso sobre o fogo, símbolo que ele escolheu como norteador do sermão, o pontífice fez clara alusão ao partidarismo e ao jogo de interesses em torno da região. Apesar de não citar nenhum país, o discurso do papa se enquadra às medidas impopulares tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no tocante às questões ambientais e sociais.

"O fogo devorador se alastra quando se quer fazer triunfar apenas as próprias ideias, formar o próprio grupo, queimar as diferenças para homogeneizar tudo e todos", ressaltou.

Um tema que ainda hoje gera controvérsias é a questão da colonização europeia da America Latina. Confirmando que no passado a Igreja também cedeu à logica de interesses da colonização, iniciada no século 15, papa Francisco fez um pronunciamento histórico sobre a questão. Da extinção dos povos indígenas ao padroado, que compõem o elenco de assuntos espinhosos que caracterizaram o período, o pontífice "toca na ferida" e reacende o debate. "Quantas vezes houve colonização em vez de evangelização! Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos".

No inicio de 2019 iniciou-se uma crise diplomática entre o governo brasileiro e o Vaticano. O presidente Bolsonaro, em fevereiro deste ano, chegou a expressar sua preocupação com a reunião de bispos, analisando que o evento poderia ser um atentado à soberania do país. A própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin) chegou a mencionar que monitoraria a reunião "com fontes abertas".

Apesar do Vaticano ter reiterado que o sínodo não passa de um evento religioso, alguns temas apresentados pelo Instrumentum laboris, uma espécie de lista com os principais assuntos que serão debatidos durante o sínodo, refletem a preocupação dos bispos com as questões sociais, ambientais e territoriais.

Nesta semana, durante coletiva de imprensa de apresentação do sínodo, dom Claudio Hummes, o cardeal brasileiro nomeado relator-geral da assembleia, disse que sínodo não se concentrará somente em assuntos religiosos. Por outro lado, afirmou que a reunião pretende apenas refletir sobre os principais problemas que acometem a região, não apresentar "soluções técnicas".

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