Cultura

07/10/2019 | domtotal.com

Do rock ao funk: RiR reúne estilos e defende diversidade

Pop rock nacional com Lulu Santos e Paralamas marcaram o encerramento do evento.

Com marido na plateia, Lulu Santos se apresenta pela 4ª vez no Rock in Rio.
Com marido na plateia, Lulu Santos se apresenta pela 4ª vez no Rock in Rio. (WILTON JUNIOR)

O Rock in Rio 2019 chega ao fim com um modelo consolidado de festival de música praticamente único no mundo – agradando de metaleiros a funkeiros – e, nesta edição, especificamente, abrindo espaço para shows novos de artistas em ascensão (H.E.R.) novos astros em seu auge até aqui (Drake), primeiras vezes no Brasil (Pink e King Crimson), prestando atenção nos gêneros mais adorados do momento (funk e hip-hop) e criando novas ferramentas de entretenimento (os espaço da NAVE e da Fuerza Bruta foram elogiados por público e crítica).

A principal marca da curadoria do Palco Mundo do Rock in Rio também deu um jeito de manter bandas colossais cujos fãs-clubes enxergam apenas a perfeição, mas que são marcas repetidas, de novo e de novo, como o Red Hot Chili Peppers (que, justiça seja feita, fez um show diferente) e o Bon Jovi – o que deve continuar acontecendo a despeito das críticas. Trazer a maior turnê da história do Iron Maiden e a última do Slayer também foram decisões importantes.

Um parágrafo para o Palco Sunset. Muito dele é sobre encontros e nesta edição o Rock in Rio promoveu alguns dos mais memoráveis da sua história recente. No primeiro dia, Mano Brown e Bootsy Collins misturaram soul das antigas e rap do bom. Iza e Alcione simplesmente tomaram conta do espaço num show consagrador (de novo) para a primeira e gigante para a segunda. Emicida e Ibeyi emocionaram com homenagens e uma sinergia ancestral poderosa e a Funk Orquestra fez uma festa funk emocionante.

O festival se encerraria já na madrugada desta segunda-feira (7) com um show da banda britânica Muse, num dia também voltado ao rock popular de Imagine Dragons, Nickelback, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos e Silva e O Terno.

Pop rock nacional. Paralamas do Sucesso e Lulu Santos se apresentaram no Palco Mundo e no Palco Sunset, respectivamente. O show do Paralamas começou com Sinais do sim, a bonita canção do disco mais recente da banda, de mesmo nome. "Esse show é uma prova de que o Brasil está conectado cada vez mais com a energia global", disse Herbert Vianna. Em O beco (1988), imagens de ativistas políticos como Nelson Mandela e cacique Raoni ilustraram o telão.

Uma versão ska de Você, uma das imortais de Tim Maia, fez todo mundo cantar e dançar junto. Bem como A novidade, parceria da banda com Gilberto Gil, que na versão do Paralamas ganha um toque mais de protesto do que de lamentação numa letra fatal: "Oh, mundo tão desigual, de um lado esse carnaval, do outro a fome total". Foi o tecladista veterano João Fera quem brilhou em Melô do marinheiro, que, como Herbert disse, foi feita antes de muita gente ali ter nascido - o que não impediu todo mundo de cantar a história do marinheiro que entra pelo cano.

Uma brasileira reencaminhou o show para o ska – a mistura de rock e reggae que o Paralamas cristalizou no Brasil. Vital e Óculos, duas canções que a banda tocou na primeira edição do Rock in Rio, num show catártico em 1985, voltam para o mesmo palco, e com vigor invejável, encerrando a terceira passagem do Paralamas pelo festival.

O público que se deslocou do Palco Mundo, após o show dos Paralamas do Sucesso, para ver Lulu Santos e Silva no Palco Sunset até conseguiu cantarolar os versos de Tempos modernos. Até que se acomodassem, a distância e a quantidade de gente fez da caminhada uma prece, no refrão de Toda forma de amor.

Apesar da distância, o som do Palco Sunset parecia prejudicado. Em Casa, o volume baixou e permaneceu abafado. Não era possível compreender a voz do cantor. A plateia se manifestou com palmas, pedindo que se aumentasse o volume. Não adiantou, os hits de Lulu seguiram abafados. Na canção Apenas mais uma de amor só se ouvia a plateia.

Silva chegou ao palco com Ovelha negra, de Rita Lee, mas sem tanta expressão por causa dos problemas no som. Ao redor, qualquer outro palco menor que o Sunset alcança o espaço.


Agência Estado

EMGE

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