Religião

08/10/2019 | domtotal.com

Sínodo: participantes apresentam questões para o papa Francisco

No segundo dia de reunião, os participantes do sínodo têm a oportunidade de falar abertamente diante do papa.

No segundo dia de reunião, os participantes do sínodo têm a oportunidade de falar abertamente diante do papa.
No segundo dia de reunião, os participantes do sínodo têm a oportunidade de falar abertamente diante do papa. (Andreas Solaro/ AFP)

Mirticeli Medeiros*
Especial para o Dom Total

Cidade do Vaticano – Segundo dia de reuniões do Sínodo da Amazônia. Na segunda-feira (7), depois do discurso de abertura do papa Francisco, começaram as chamadas "congregações gerais", momento no qual os participantes podem fazer colocações livremente. Como acontece em todos os sínodos, a previsão é de que sejam realizadas duas congregações por dia: uma de manhã e outra à tarde.

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Primeiras comissões

Por enquanto, foram criadas duas comissões, que são consideradas as mais importantes: a do documento final e a da informação. Alguns brasileiros integram esses grupos de trabalho. Na equipe do texto final está o bispo de Roraima, Mário Antônio da Silva. E no grupo da informação, o bispo emérito da prelazia do Xingu, Erwin Krautler.

Principais temas

A maioria dos participantes refletiu sobre alguns temas em particular: juventude, as nascentes dos rios, o uso de combustíveis fósseis, os ritos indígenas, a imigração, formação dos leigos e os viri probati – proposta de ordenação de homens casados para suprir a carência de padres.

Falando sobre o protagonismo dos jovens, se inspiraram na trajetória da ativista sueca Greta Thunberg, destacando que "o cuidado com a criação não deve ser somente um 'slogan verde da moda', mas deve se tornar uma questão de vida ou de morte para o homem e para o planeta".

Sobre os ritos indígenas, disseram que, desde que não exista espaço para a superstição, é possível pensar "em celebrações inculturadas para sacramentos como o batismo, o matrimônio e a ordenação sacerdotal".  E apresentaram como possibilidade a criação "de um rito católico amazônico" capaz de promover um "ecossistema eclesial".

Os padres casados

Por fim, falou-se da questão dos viri probati. Segundo uma fonte, o tema foi pouco citado durante as apresentações. Há tanto pessoas favoráveis quanto contrárias à proposta. "De quase 24 colocações na sala – disse a fonte – talvez quatro tenham falado sobre os viri probati".

"Não se pode condicionar a proposta a uma mudança substancial da natureza do sacerdócio e da sua relação com o celibato, previsto pela Igreja do Rito Latino. Mas se sugere uma pastoral vocacional entre os jovens indígenas, de modo que a evangelização seja garantida nas regiões mais isoladas da Amazônia", diz o boletim oficial da Santa Sé.

Os padres sinodais dizem que tal sugestão tem o intuito de garantir que não existam católicos de primeira classe – que podem ter acesso aos sacramentos facilmente – e católicos de segunda classe, “destinados a permanecer sem o pão da vida por quase dois anos”.

Na coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (8) para explicar algumas dessas ideias, o responsável pela comunicação vaticana, Paulo Ruffini, acrescentou que, em relação aos sacramentos, outras soluções foram apontadas.

“Se falou da possibilidade da ordenação de diáconos temporários. Alguns padres sinodais disseram que é preciso evitar uma interpretação funcional em relação ao sacerdócio e ao acesso aos sacramentos”, explicou.

Outro boletim da Santa Sé, publicado na tarde desta terça-feira, em Roma, traz um resumo dos pronunciamentos feitos pela manhã. O texto fala da proposta de "escolher ministros autorizados para celebrar a eucaristia ou de ordenar diáconos permanentes que, acompanhados dos pastores, possam administrar os sacramentos".

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*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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