Religião

08/10/2019 | domtotal.com

'A Amazônia não é terra de negócio, mas é uma mãe que dá a vida', diz liderança indígena

Em Roma, eventos que se auto-intitulam "o Sínodo da Amazônia além dos muros vaticanos", dão espaço para que os povos amazônicos tenham voz e vez na sede da igreja católica.

Indígenas participam das discussões no sínodo, no Vaticano
Indígenas participam das discussões no sínodo, no Vaticano (Mirticeli Medeiros)

Mirticeli Medeiros*
Especial para o Dom Total

Cidade do Vaticano - Enquanto ocorre o Sínodo da Amazônia, no Vaticano, vários eventos, pela cidade de Roma, refletem sobre os principais problemas da região. A sede da Rádio Vaticana, por exemplo, abriu sua sala de conferências nesta terça-feira (8) para índios de várias etnias debaterem sobre temas referentes à demarcação de terras, marco temporal e sobre os direitos dos índios já garantidos pela Constituição brasileira. O evento foi organizado pelo Conselho Indígena Missionário (Cimi).

“Marco temporal, para nós, é uma doença grave. Que o governo federal nos respeite, pois é lá que nascemos e queremos morrer. A Amazônia não é terra de negócio, mas é uma mãe que dá a vida”, disse a líder indígena Ernestina Macuxi, de Roraima.

Cobertura especial::

Em entrevista ao Dom Total, ela também agradeceu o papa Francisco por ter dado voz às comunidades indígenas. “Me sinto honrada por ter sido convocada pelo papa. Me sinto muito fortalecida, já que, neste momento, muitos dos nossos povos são destruídos e massacrados. Que o sínodo nos ouça e nos defenda”, disse.

Mais cedo, durante a coletiva de imprensa que tratou dos temas que estão em alta na sala do Sínodo dos Bispos, a antropóloga brasileira Moema Miranda, uma das especialistas convidadas para participar da assembleia, falou da importância do sínodo em um momento que, segundo ela, é alarmante. “A emergência da crise ambiental aproxima sabedorias que antes estavam divididas. A sabedoria que vem de Francisco de Assis, ciência, cristianismo, as quais, juntas, têm a possibilidade de estabelecer um diálogo", ressaltou.

Miranda também falou sobre um projeto de destruição da Amazônia. Ela diz que “há um plano predatório, extrativista, dirigido pela ganância e pelo desejo ilimitado de lucro”. E acrescenta que se explora o território amazônico sem a consciência prévia de que tudo esteja interligado. Sem contar o rastro de destruição que deixa para os habitantes locais.

“A questão do uso econômico da floresta não está em discussão, mas perguntamos apenas qual modelo se utiliza. Eu desafio todos a dizer onde a chegada de uma mineradora representou algo bom para as comunidades locais. Quando uma mineradora se instala lá, devemos nos perguntar: Segundo os interesses de quem?”, questionou.

Leia mais:

*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
Saiba mais!

Comentários


Instituições Conveniadas