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09/10/2019 | domtotal.com

Democratas querem impeachment de Trump, mas Casa Branca não vai cooperar

Mesmo colocando em risco a reconquista da presidência em 2020, pesquisa mostra que democratas querem o impedimento de Trump.

Trump pressionou o presidente da Ucrânia para investigar seu adversário político, Joe Biden.
Trump pressionou o presidente da Ucrânia para investigar seu adversário político, Joe Biden. (AFP/Arquivos)

Nova York - A maioria dos democratas é a favor do impeachment do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mesmo que isso signifique enfraquecer as chances de seu partido reconquistar a Casa Branca na eleição de 2020, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos. 

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O levantamento, realizado na segunda (7) e terça-feira (8), constatou que, embora o apoio ao impeachment se mantenha inalterado no geral entre todos os norte-americanos – permanecendo em 45% desde a semana passada – está aumentando entre os democratas. A oposição ao impeachment também caiu 2 pontos percentuais em relação à semana passada, para 39%.

Entre os que se identificam como democratas, 79% disseram que Trump deveria sofrer impeachment, alta de 5 pontos percentuais ante uma pesquisa semelhante realizada de 26 a 30 de setembro. Apenas 12% dos republicanos e cerca de 1 em cada 3 independentes apoiaram o impeachment, seguindo praticamente inalterado em relação à semana passada.

O apoio ao impeachment de Trump aumentou nas últimas semanas depois que uma autoridade de inteligência dos EUA não identificada fez uma denúncia acusando o presidente de pressionar a Ucrânia a envolver o democrata Joe Biden e seu filho em uma investigação de corrupção. Biden está disputando a indicação de seu partido para concorrer contra o republicano Trump na eleição do próximo ano.

A denúncia, classificada por Trump como uma "caça às bruxas" feita por seus inimigos políticos, foi apoiada desde então por um segundo delator não identificado que tem conhecimento mais direto do que o primeiro de algumas das alegações na denúncia, de acordo com os advogados da pessoa. Trump, que diz que estava agindo com seu dever de erradicar a corrupção, afirmou na semana passada que a China também deveria investigar Biden.

Segundo a pesquisa, dois em cada três democratas também disseram que o Congresso deve buscar o impeachment, "mesmo que isso signifique que eles precisarão adiar esforços para aprovar leis que possam me beneficiar".

E 55% dos democratas declararam que seus líderes partidários deveriam seguir pressionando pelo impeachment mesmo "se isso significar um processo demorado e caro que pode enfraquecer suas chances de conquistar a Presidência em 2020".

A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada online, em inglês, nos Estados Unidos. Reuniu respostas de 1.118 adultos nos EUA, incluindo 454 que se identificam como democratas e 457 que se identificam como republicanos. O intervalo de credibilidade, uma medida de precisão, é de 5 pontos percentuais.

Casa Branca não vai cooperar

O governo de Donald Trump avivou o confronto com o Congresso em torno do processo de impeachment promovido pelos democratas na Câmara de Representantes, afirmando que a Casa Branca não cooperará com a investigação.

O Executivo "não vai participar deste exercício de teatro político partidarista", diz uma carta enviada à Câmara, controlada pelos democratas. "Esta investigação carece de base constitucional, de qualquer pretensão de imparcialidade e, inclusive, do respeito mais elementar ao devido processo", destaca a carta.

Trump é acusado de tentar obter ajuda da Ucrânia para conseguir informações comprometedoras do ex-vice-presidente democrata Joe Biden, principal pré-candidato democrata às eleições de 2020. A Casa Branca destacou ainda o fato de que a Câmara não programou uma votação formal sobre o processo de impeachment.

Em meio à queda de braço entre Trump e os democratas, o governo bloqueou nesta terça-feira o depoimento do embaixador dos Estados Unidos junto à União Europeia, Gordon Sondland.

"Gostaria de mandar o embaixador Sondland, um homem realmente bom e um grande americano, para que dê seu testemunho, mas, infelizmente, estaria testemunhando diante de um circo armado totalmente parcial", tuitou Trump.

O presidente do Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, Adam Schiff, um dos democratas à frente da investigação, disse à imprensa que "o fato de não apresentar esta testemunha" traz "provas ainda mais contundentes de obstrução das funções constitucionais do Congresso".

Rico empresário do setor hoteleiro e importante doador da campanha de Trump, Sondland está envolvido em uma cadeia de mensagens de texto entregue ao Congresso na semana passada pelo ex-enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia Kurt Volker.

As conversas entre ambos, Volker e Sondland, o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, e um assistente da Presidência ucraniana expuseram os esforços do governo Trump para pressionar Kiev a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho Hunter por suspeita de corrupção ligada com a Ucrânia.

Nas mensagens, discute-se uma eventual reunião na Casa Branca entre Trump e o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, em troca de investigar possíveis irregularidades dos Biden. "Sabemos que o embaixador Sondland foi um ator-chave no esforço para obter o compromisso da Ucrânia de investigar uma teoria conspiratória falaciosa em relação às eleições (presidenciais) de 2016, assim como a Joe Biden e seu filho", declarou Schiff.

Contraofensiva republicana

Os republicanos que apoiaram na semana passada o pedido de Trump para que Ucrânia e China investiguem os Biden sob o pretexto de combater a corrupção, deflagraram uma contraofensiva no Senado, onde são a maioria.

A senadora Lindsey Graham, uma grande aliada de Trump, anunciou sua intenção de convidar Giuliani para testemunhar sobre os supostos casos de "corrupção" envolvendo os Biden e uma empresa de gás ucraniana. "Estou cansada de escutar apenas um lado desta história", tuitou Graham.


Retuers / AFP / Dom Total

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