Religião

09/10/2019 | domtotal.com

Bispo diz que índios não entendem o celibato e pede aprovação de padres casados

No terceiro dia reuniões do Sínodo da Amazônia, os temas mais polêmicos começam a ganhar visibilidade.

Dom Erwin Kräutler é o autor da proposta
Dom Erwin Kräutler é o autor da proposta "viri probati". (CNBB)

Mirticeli Medeiros*
Especial para o Dom Total

O bispo emérito da prelazia do Xingu (PA), dom Erwin Kräutler, autor da proposta dos viri probati – homens casados que poderiam receber autorização para ministrar alguns sacramentos –, disse nesta quarta-feira (9), em coletiva de imprensa realizada no Vaticano, que os povos indígenas têm dificuldade de compreender a disciplina do celibato. "A primeira coisa que me perguntam, quando chego na aldeia, é onde esta minha mulher", disse o religioso, brincando com os jornalistas.

"O branco, na visão deles, pode ser celibatário. Eles tem a concepção de que o sacerdote é chamado a cuidar da casa. E a comunidade é essa grande casa", explicou.

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O tema, que é um dos artigos do documento de trabalho do sínodo – o Instrumentum laboris – vem sendo apresentado em algumas reuniões, as chamadas "congregações gerais", iniciadas no dia 6. O que foi apurado até agora é que há posicionamentos favoráveis e contrários à proposta. Apesar de ter sido pouco citada, a proposta dos viri probati é defendida por alguns grupos que compõem o sínodo.

O religioso explicou, no entanto, que não se trata de propor o fim do celibato na Igreja Latina, mas é uma espécie de via pastoral "para atender às pessoas que têm acesso à comunhão uma vez ao ano", por causa da carência de sacerdotes.

"Eu apresentei a proposta ao papa em 2014. Muitas comunidades da Amazônia não têm acesso à eucaristia. A eucaristia é o ápice da nossa fé. E esse povo tá excluído disso. Não somos contra o celibato, mas queremos que esses irmãos tenham acesso não só à mesa da palavra, mas também à mesa da eucaristia", pediu.  

Outro tema espinhoso tratado pelo bispo foi o diaconato feminino, possibilidade que deixou de ser cogitada pelo papa Francisco neste ano "por causa da inconsistência teológica". O pontífice criou, em 2016, uma comissão só para estudar a ordenação de mulheres, a qual se desfez após o veredito.

"Dois terços dessas comunidades sem padres são dirigidos e coordenados por mulheres. E então, o que fazemos? Se fala muito da valorização da mulher. Mas isso quer dizer o quê? Temos que ir além disso, temos que ir às coisas concretas. Sou a favor do diaconato feminino. Por que não?"

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*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

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*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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