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14/10/2019 | domtotal.com

Loucuras deste mundo doido

Não faço elogio, faço uma constatação: o mundo é dos loucos.

Haja camisas de força e manicômios.
Haja camisas de força e manicômios. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*

Se eu pudesse fazer o elogio da loucura com a competência do filósofo Erasmo de Roterdã, sem dúvida o faria. Mas, se não faço elogio, faço uma constatação: o mundo é dos loucos. Antes, durante e depois de Cristo, foram muitos os notáveis que se notabilizaram no universo pelo alto índice de demência.

Comecemos lá longe, no princípio do mundo, com uma breve passagem pela Bíblia. Um dos filhos de Eva, a primeira mulher, era um verãozinho de alta periculosidade. Chamava-se Caim, e cometeu o primeiro fratricídio da história ao matar o irmão Abel por pura inveja. Psicopata, sem dúvida.

Visitemos outro personagem bíblico: Jacó, que ganhou também o nome de Israel. Trabalhou quatorze anos para o agricultor Labão, porque queria a todo custo casar com a filha dele, Raquel. E mais: fez-se passar por Esaú, seu irmão gêmeo e o preferido do pai Isaque, que já estava quase cego. Para quê? Para receber a bênção e a herança. Doido, ou não?

Nabucodonosor, rei da Babilônia, foi outro maluco, que um dia pirou de vez e só voltou da demência por obra e graça de Deus Todo Poderoso que dele se compadeceu, apesar de todas as atrocidades que havia cometido. Foi a história dele que inspirou Verdi na ópera Nabuco, da famosa canção Va Pensiero, que se tornou símbolo musical da Itália: Vai, pensamento, sobre asas douradas, diz a letra, que traduz, de certa forma, a loucura do próprio compositor clássico.

E logo chegamos a Roma, o império dos loucos. Teve um Nero, que chegou a botar fogo na cidade para assistir ao espetáculo tocando harpa na varanda do palácio. Teve Calígula, que todo mundo conhece por seu cavalo Incitatus, nomeado cônsul. Era, sem dúvida, um belo cavalo, mas daí a cônsul, só mesmo por obra de um doido varrido.

Outro maluco do tempo do império romano não era romano, mas judeu. Herodes, nomeado rei da Judeia. Esse tresloucado ser humano matou várias esposas e filhos, porque não confiava nem na própria sombra. E tentou matar Jesus, quando determinou o extermínio das crianças com menos de dois anos, porque não sabia qual delas era o Cristo. O menino escapou graças a um anjo que avisou a família sagrada. José e Maria fugiram levando o garotinho para o Egito, onde ficaram até a morte do sanguinário Herodes.

Damos aqui um pulo na História e chegamos à França, para visitar outro doido, o rei Carlos VI. Esse era atacado por delírios de toda ordem. Imaginava lanças arremessadas contra ele, e um dia matou alguns dos seus guardas, pensando que eram eles os que queriam matá-lo. Foi submetido a vários tratamentos, incluindo um exorcismo, mas não adiantou. Morreu doido.

E que dizer do czar russo Ivan, o Terrível? Era sádico de nascença. Doidaço. Ainda criança, subia no teto do palácio e matava cães e gatos jogando-os lá de cima. Quando cresceu e assumiu o poder, mandou torturar e matar gente que não foi brincadeira. Mandava liquidar todos os que ele pensava oferecer algum risco ao seu trono.

E temos, cá na nossa língua portuguesa, a rainha Maria I, mãe do rei Dom João VI, ele mesmo, o que veio com a família real para o Brasil. A danada da mulher tinha surtos de loucura e visões demoníacas. Fugia de crucifixos e vivia a insultar todo mundo em volta. Dom João, filho da mãe pirada, foi nomeado príncipe regente, depois tornou-se rei de Portugal e fugiu de Napoleão rumo ao Brasil.

Nada foi diferente na era moderna. Hitler era um maluco perigosíssimo. Sem o humor de Chacrinha, sabia comandar as massas e promoveu a mais cruel carnificina da história, à semelhança de Stalin, outro russo completamente maluco, também responsável pela morte de milhões de pessoas.

E os doidões continuaram mandando em vários países, como na China, onde Mao Tsé-Tung promoveu a chamada revolução cultural que resultou em uma mortandade sem limites. Era a personificação da fome pelo poder e da violência característica dos radicais.

Loucos também são figuras comuns no Oriente Médio. Lembremos Saddam Hussein, do Iraque, que em 2002 obteve 100% dos votos para permanecer no poder. Louca unanimidade. Era esperto esse Saddam, que tinha, entre outras maluquices, torneiras de ouro nos aposentos palacianos.

Também na Europa e nas Américas há casos de personagens completamente insanos, seja nos altos como nos baixos escalões dos governos e da sociedade. Tivemos, no Brasil, um presidente completamente pirado da ideia, chamado Jânio Quadros. Além do Collor de Mello, outro lunático.

Para abreviar essa nossa conversa, pergunto: você acha que o presidente Donald Trump é certo da cabeça? E Maduro? E Bolsonaro? E Gilmar Mendes? E Lula? E Deltan Dalagnol? E Greenwald? E Damaris? E Janot? E...

Ah, meus caros amigos e minhas amantíssimas amigas, a lista é extensa. Haja camisas de força e manicômios.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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