Religião

12/10/2019 | domtotal.com

'A soberania do Brasil em relação à Amazônia não se discute no sínodo'

Bispo de São Félix do Araguaia (MT), Dom Adriano Ciocca, responde declaração de Mourão sobre a reunião de bispos que trata da região amazônica.

Ciocca acrescentou que, apesar desse reconhecimento, é preciso entender 'que estamos em um mundo é globalizado'.
Ciocca acrescentou que, apesar desse reconhecimento, é preciso entender 'que estamos em um mundo é globalizado'. (Reprodução/Youtube)

Por Mirticeli Medeiros
Repórter Especial

Cidade do Vaticano - Após o vice-presidente da república, Hamilton Mourão, ter dito na última sexta-feira (11), que “o governo brasileiro deve proteger a Amazônia e mais ninguém” em coletiva de imprensa organizada pela embaixada do Brasil em Roma, representante da igreja Católica, que integra o Sínodo da Amazônia, deu uma resposta à declaração neste sábado (12).

“A soberania do Brasil e dos outros países que integram a Amazônia não entram em discussão (no sínodo). A Laudato Si (encíclica ecológica do papa) diz, claramente, que não se interfere na soberania dos países. A responsabilidade primária é dos países que integram a região”, disse Dom Adriano Ciocca.

Ciocca acrescentou que, apesar desse reconhecimento, é preciso entender “que estamos em um mundo é globalizado” e que “é importante superar um modelo de soberanismo ultrapassado e associado ao populismo, o qual não contribui nem com o Brasil, nem com a Amazônia, nem com a saúde do planeta”.

Mourão e sua comitiva estão em Roma para participar da canonização de Irmã Dulce, que será realizada neste domingo (12) durante missa presidida por papa Francisco, na praça de São Pedro, no Vaticano. O vice-presidente afirmou que não está em Roma só por causa da cerimônia, uma vez que pretende encontrar representantes da Santa Sé por ocasião do Sínodo da Amazônia”. Por enquanto, a Santa Sé não se manifestou se acatará o pedido.

Desencontro

No início de 2019, houve uma crise diplomática entre o governo brasileiro e o Vaticano. O presidente Bolsonaro, em fevereiro deste ano, expressou sua preocupação com a reunião de bispos, analisando que o evento poderia ser um atentado à soberania do país. A própria Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) chegou a cogitar que monitoraria a reunião "com fontes abertas".

O governo brasileiro também esperava ser representado no sínodo da Amazônia. A lista de participantes, divulgada em 21 de setembro deste ano, foi composta somente por bispos, padres, peritos, especialistas e membros de outras religiões. Como ocorre em todos os sínodo, não é prevista a participação de chefes de estado ou qualquer outro representante oficial da região tratada pela assembleia de bispos.

EMGE

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